9/set/2013, 0h47min

“Só me tornei médico graças ao processo revolucionário de Cuba”, diz Marcos Tiaraju

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Nascido em meio à luta pela terra dos anos 1980, Marcos Tiaraju formou-se médico em Cuba. No ano passado, retornou ao Brasil para exercer o seu ofício | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Iuri Müller e Samir Oliveira

O nome de Marcos Tiaraju Correa da Silva foi escolhido de forma coletiva, mediante votação em uma assembleia com quase 10 mil pessoas. O cenário desta decisão era a ocupação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) na fazenda Annoni, no norte do Rio Grande do Sul, no dia 1° de novembro de 1985.

“Marcos”, porque tratava-se do nascimento da primeira criança em uma ocupação do movimento. “Tiaraju”, em homenagem ao indígena Guarani Sepé Tiaraju, que liderou seu povo em uma guerra contra os colonizadores na América do Sul. Filho da histórica militante Roseli Nunes, Marcos Tiaraju nasceu, como ele mesmo define, “embaixo da lona preta”.

Marcos Tiaraju nasceu sem terra, mas permaneceu anos politicamente afastado desta condição. Muito tempo depois, retomou o contato com MST e passou a militar na organização. Em 2006, foi estudar Medicina em Cuba, retornando ao Brasil em setembro de 2012. Atualmente, trabalha em três postos de saúde da rede municipal de Nova Santa Rita, município de 20 mil habitantes, a 21 quilômetros de Porto Alegre, que possui quatro assentamentos do MST.

Nesta entrevista ao Sul21, Marcos Tiaraju fala sobre o ensino da Medicina em Cuba e o programa Mais Médicos do governo federal brasileiro. Para ele, a iniciativa “vai fazer uma grande diferença para aquelas famílias que não tem acesso a médicos durante os 365 dias do ano”.

“Já nasci embaixo da lona preta, como parte de uma classe social excluída de um dos bens mais importantes, que é a terra”

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

“Na história da luta agrária do país, o território conhecido como a antiga fazenda Annoni é conhecido como berço da luta pela terra” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Sul21 – Podes começar contando um pouco sobre a tua história. Tu foste a primeira criança a nascer em uma ocupação do MST. Tu nasceste no território que, naquela época, pertencia à fazenda Annoni, é isso?
Marcos Tiaraju – Isso. Foi no Rio Grande do Sul que a luta do MST se iniciou de forma mais organizada e unificada, particularmente na região Norte do estado. Na história da luta agrária do país, o território conhecido como a antiga fazenda Annoni é conhecido como berço da luta pela terra. Era uma propriedade que concentrava aproximadamente 10 mil hectares e estava nas mãos de um latifundiário que não a utilizava para produzir. A primeira grande ocupação deste território ocorreu em 1985. E eu nasci no dia 1 de novembro daquele ano, durante a ocupação. Já nasci embaixo da lona preta, como parte de uma classe social excluída de um dos bens mais importantes, que é a terra.

Sul21 – Como foi a adesão da tua família ao MST? Tua mãe, Roseli Nunes, foi uma militante histórica para o movimento.
Marcos Tiaraju – Minha família era similar a todas que se organizavam em torno desta luta. Era uma família pobre, com filhos para criar, sem acesso à alimentação, ao trabalho e à terra. Minha mãe assumiu um papel protagônico. Era uma mulher, mãe de dois filhos – antes de eu nascer -, que ingressou na luta e assumiu um papel de liderança. Ela dizia que a reforma agrária ajudaria a transformar a sociedade. Era uma camponesa sem um grau elevado de estudo, mas possuía a consciência social de que era necessário lutar. Queria mostrar para a sociedade porque a luta pela terra se desenvolvia e sabia exatamente de quem cobrar: o Estado brasileiro. A Constituição reconhece que toda a terra que não cumpre sua função social deve ser destinada para fins de reforma agrária.

Sul21 – Como foi esse período inicial na ocupação da fazenda Annoni?
Marcos Tiaraju - Na época, como a luta pela terra estava em efervescência, muitas pessoas foram até a região da fazenda Annoni documentar o que acontecia. Uma delas foi a Tete Moraes, uma cineasta do Rio de Janeiro. Em uma ocasião, ela estava filmando uma manifestação em que as famílias bloqueavam uma rodovia e um caminhão investiu contra o grupo e acabou matando a minha mãe. Isso ocorreu em março de 1987. Então ela acabou sendo homenageada pelo documentário, que se chama “Terra para Rose”.

“Muitas vezes, para nos alimentarmos, íamos para o lixo de um supermercado recolher as mercadorias vencidas”

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

“Cresci nesta realidade, com muitos questionamentos na cabeça e muita angústia. Eu não compreendia porque a vida tinha que ser daquela forma” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Sul21 – Tua família permaneceu na ocupação depois deste episódio?
Marcos Tiaraju - Meu pai tinha três filhos para cuidar e acabou não resistindo. Ficamos mais alguns anos no acampamento e depois fomos morar na cidade de Rondinha. Meu pai trabalhava como pintor de casas. No verão havia trabalho, mas no inverno, com a umidade e as chuvas, não havia como fazer pintura. Vivíamos em uma realidade de bastante pobreza. Muitas vezes, para nos alimentarmos, íamos para o lixo de um supermercado recolher as mercadorias vencidas. Minha irmã, desde os 11 anos, começou a trabalhar como doméstica. Cresci nesta realidade, com muitos questionamentos na cabeça e muita angústia. Eu não compreendia porque a vida tinha que ser daquela forma.

Sul21 – Com essa mudança, não houve mais contato com o MST?
Marcos Tiaraju – Até os 14 anos, não tive mais contato com a história do MST e da minha mãe. Com a minha própria história. Na minha casa não se comentava sobre isso. Lembro que tinha uma bandeira do MST. Era algo que meu pai guardava com muito carinho. Mas eu não sabia o que significava e não perguntava sobre a minha mãe. Nunca tive coragem de perguntar e meu pai nunca teve coragem de comentar. Foi um processo muito duro para ele: ter lutado por terra, não ter conquistado nenhum pedaço de terra e ainda ter perdido a esposa e ficado com três filhos para criar. Até que, dez anos depois do primeiro documentário, a Tete Moraes voltou à região para fazer outro filme. Ela queria verificar o que havia acontecido com as famílias que tinham participado da ocupação da fazenda Annoni.

Sul21 – Ela reencontrou vocês?
Marcos Tiaraju – Sim. Ela encontrou nossa família em Rondinha e o documentário acabou homenageando novamente minha mãe com o título “O sonho de Rose”. Esse documentário fez ressurgir um debate dentro do MST de que era necessário fazer se tornar realidade o sonho de Rose e dar um pedaço de terra para que a sua família pudesse viver em condições melhores. Então, entre 1999 e 2000, minha família acabou conquistando um lote de terra em um assentamento em Viamão. É neste momento que minha história se modifica. Comecei a ter contato novamente com a história do MST, a compreender o que era um assentamento e de onde vinham as famílias assentadas. Também comecei a conhecer a história da minha mãe. Aprendi a admirar a história da minha família, do MST e do compromisso social que existe por trás da luta pela terra.

Foto: Carlos Carvalho

Roseli Nunes e Marcos Tiaraju, na foto dos anos 1980 | Foto: Carlos Carvalho

“Fui me assumindo como sem terra por consciência social, já que nasci como um excluído da terra”

Sul21 – Foi quando te tornaste, efetivamente, militante do movimento?
Marcos Tiaraju – Aí comecei a militar, participar de ocupações, marchas e manifestações. Neste contexto, fui adquirindo consciência de classe. Fui me assumindo como sem terra por consciência social, já que nasci como um excluído da terra. Dentro do MST, comecei a compreender e resolver as angústias que eu tinha quando era mais novo. Compreendi que a história da minha família não era única e singular. Era uma história que se repetia milhões de vezes no Brasil. Compreendi que, para modificar essa situação, é necessário se organizar, lutar, ocupar terras, bater em governos.

Sul21 – Como ocorreu o convite para ir estudar Medicina em Cuba?
Marcos Tiaraju - Dentro desse processo de crescimento de consciência social, em 2005, durante uma marcha de Goiânia para Brasília, acabei sendo convidado para estudar medicina em Cuba. A Revolução Cubana sempre teve como prioridade, para si e para o mundo, a melhoria na área da saúde. Sempre foram organizadas missões humanitárias de médicos cubanos para países pobres. Em um determinado momento, Cuba se dá conta de é necessário formar médicos nas próprias comunidades para onde suas missões humanitárias se destinam. Então o governo criou a Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), com a intenção de formar jovens pobres que, concluído o curso, retornem para as suas comunidades. Neste processo, ofereceram uma bolsa para mim e para outros jovens brasileiros de movimentos sociais e partidos políticos.

Sul21 – Tu já tinhas interesse em estudar Medicina?
Marcos Tiaraju – Nunca tinha pensado em estudar Medicina. Até porque, geralmente, nossa cabeça pensa onde nossos pés pisam. Qual o sonho do filho de um pequeno agricultor sem terra? É trabalhar na terra. Não acredito que exista vocação ou destino. O que determina essas coisas é o status social da família que precede o indivíduo. Eu nunca havia sonhado em fazer Medicina, mas já havia compreendido que para modificar a sociedade não bastava só lutar, só estar organizado e protestar. Era preciso buscar o conhecimento, a educação e elementos que ajudassem a compreender o funcionamento da sociedade e, através disso, assumir uma posição social e dizer: “é a este grupo que eu pertenço, é por esse grupo que eu vou lutar e é por essas melhorias que dedicarei a minha vida”. Eu queria estudar, me dedicar a algo e buscar conhecimento para ajudar na luta da reforma agrária e, de forma geral, ajudar a transformar a sociedade brasileira. Então, tendo essa compreensão, tive menos de 24h para decidir se estudaria Medicina ou não. Em 2005 acabou não saindo a viagem. Fui para Cuba em abril de 2006.

“Em Cuba não existem hospitais superlotados porque 80% dos problemas de saúde são resolvidos na atenção básica pelo médico da comunidade”

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

“Sonhamos com um sistema de saúde público, gratuito, universal e equitativo. Lá em Cuba isso já existe” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Sul21 – Em Cuba, tu encontraste a sociedade que pensavas em construir?
Marcos Tiaraju – Em muitos aspectos, encontrei uma sociedade muito mais avançada do que a nossa. Sonhamos com um sistema de saúde público, gratuito, universal e equitativo. Lá em Cuba isso já existe. Toda a saúde é gratuita. A cada três quadras existe um médico de família, que vive na própria comunidade. Em Cuba não existem hospitais superlotados porque 80% dos problemas de saúde são resolvidos na atenção básica pelo médico da comunidade.

Sul21 – Como é o ensino da Medicina em Cuba?
Marcos Tiaraju – Durante dois anos, ficamos alojados na ELAM e temos aulas relacionadas às ciências básicas da Medicina: bioquímica, anatomia, fisiologia, microbiologia… Já no primeiro ano somos colocados em contato com os consultórios dos médicos de família. Então podíamos visualizar para que sistema o médico é preparado. Desde muito cedo íamos despertando para essa necessidade de que um país que respeita seu sistema de saúde deve apostar na atenção básica. A partir do terceiro ano do curso começamos a ter contato com os hospitais cubanos. Saímos da ELAM e somos distribuídos pelas províncias do país. Neste processo, damos mais ênfase ao interrogatório médico – a anamnese – e à relação  médico-paciente, reforçando o exame físico de qualidade. Boa parte do diagnóstico final depende de uma boa anamnese e de um bom exame físico. Os exames complementares muitas vezes não são necessários.

Sul21 – Com a ida aos hospitais, há um distanciamento da atenção básica?
Marcos Tiaraju - Mesmo a partir do terceiro ano mantivemos contato com a atenção básica. Havia uma matéria chamada MGI – Medicina Geral Integral. É aquele médico que sai do ambiente hospitalar e vai para a comunidade fazer visita às famílias. É uma prática que abarca os diferentes aspectos da comunidade: o biológico, o psicológico e o social. Não basta diagnosticar uma doença e prescrever um medicamento. É preciso conhecer a comunidade em que vive o indivíduo. É preciso compreender a história do paciente. Quem se forma como médico na sociedade cubana assume um papel social; não se vê somente como um profissional, mas como parte integrante de um todo que, de acordo com a sua formação, vai aportar para o avanço da sociedade desde a sua área. É um indivíduo que preza pela defesa da vida em primeiro lugar.

Sul21 – Ao final do curso, tu te formas em alguma especialidade?
Marcos Tiaraju – No final da formação, somos reconhecidos como médico geral integral – o que, no Brasil, chamamos de clínico geral. É uma formação generalista que não abarca nenhuma especialidade e, ao mesmo tempo, é o médico que consegue intervir em várias frentes, desde a infância até a pessoa idosa. Claro, essa intervenção se dá até um certo nível. Se a situação é mais complexa, é necessário um atendimento mais especializado. Em Cuba não se nega isso. Inclusive em Cuba existem vários especialistas de ponta, de qualidade.

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

“A elaboração da prova da revalidação é injusta, no sentido de que são 110 questões para serem resolvidas em cinco horas” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Sul21 – Depois que tu te formaste, como foi o retorno ao Brasil?
Marcos Tiaraju – Depois que eu me formei, em 2012, cheguei no Brasil e tive que passar pelo processo de revalidação do diploma. Desde 1998, todo médico que se forma no exterior não pode chegar no país e começar a trabalhar. Até 2010, cada universidade desenvolvia seu próprio processo de revalidação do diploma. Em 2010, o governo federal vem tentando unificar esse processo no exame nacional de revalidação, que é o Revalida. Foi a esse exame que me apresentei em 2012. Ele consta de duas etapas: uma teórica e uma prática. A teórica é dividida em questões objetivas e discursivas. Desta etapa consegui ser aprovado. A segunda etapa é realizada em Brasília, no Hospital das Forças Armadas. São apresentados dez casos clínicos para serem resolvidos, cada um, em 10 minutos. É preciso ter uma porcentagem de acerto de 60%. Existe um tribunal que avalia e o processo é todo filmado.

“Fui para Cuba na condição de militante do MST que retornaria depois com o compromisso de atuar nas áreas de maior necessidade”

Sul21 – Qual é a tua posição sobre esta prova? É um processo justo?
Marcos Tiaraju – O conteúdo da prova e o grau de dificuldade são o que de fato se espera de um médico generalista. Mas a elaboração da prova é injusta, no sentido de que são 110 questões para serem resolvidas em cinco horas. Nenhum médico consegue atender, com qualidade, 110 pacientes em cinco horas. São dois minutos por questão. Nenhum médico consegue atender um paciente, realizar um interrogatório, um exame físico, solicitar exames complementares, fechar um diagnóstico e prescrever um tratamento em dois minutos. Por mais que as questões estejam dentro da capacidade de resolução dos profissionais formados no exterior, a forma como elas são elaboradas cria muita dificuldade.

Sul21 – A prova precisaria ser diferente?
Marcos Tiaraju - Não somos contrários à realização da prova. Sabemos que temos capacidade para ser aprovados nesse exame. Mas deve ser uma prova justa. O Conselho Federal de Medicina vive utilizando os índices de reprovação para dizer que os médicos formados no exterior não estão preparados para exercer a Medicina no Brasil. Gostaria de ver qual seria o grau de aprovação se esta prova fosse feita por médicos formados no Brasil.

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

“Nenhum médico consegue atender um paciente, realizar um interrogatório, um exame físico, solicitar exames complementares, fechar um diagnóstico e prescrever um tratamento em dois minutos” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Sul21 – Como foi o processo de escolha do teu futuro local de trabalho?
Marcos Tiaraju – Depois de passar na prova, começamos um processo de discussão interna no MST. Fui para Cuba na condição de militante do movimento que retornaria depois com o compromisso de atuar nas áreas de maior necessidade. Debatemos isso com o MST, junto com outro companheiro que se formou comigo, durante três meses. Visitamos várias comunidades e assentamentos. Vendo as diferentes condições, acabamos decidindo coletivamente que iríamos trabalhar no município de Nova Santa Rita. É um município onde existem quatro assentamentos do MST e onde boa parte da população vive na zona rural e ainda é desassistida em termos de atenção médica. Desde abril deste ano estamos desenvolvendo o trabalho lá. Ainda estamos em uma fase inicial. O município não tem nenhuma equipe de saúde da família, tem quatro postos de saúde, não tem hospital. A cidade carece não só de atenção médica, mas de organização do sistema municipal de saúde.

Sul21 – Como tu avalias a eficácia do programa Mais Médicos no teu trabalho, por exemplo? Em cidades como Nova Santa Rita?
Marcos – Acredito que o programa Mais Médicos é um momento onde se passa a ver de fato a saúde do povo como prioridade. A iniciativa surge com a ideia de interiorizar os médicos, levá-los aos municípios onde não existe atenção médica. Geralmente os médicos, quando se formam, não querem se distanciar dos grandes centros urbanos. Isso ocorre por vários fatores: querem seguir estudando, não querem morar no interior ou querem manter um padrão de vida com o qual já estão acostumados. Eu apoio o programa Mais Médicos porque é um avanço social. Vai fazer uma grande diferença para aquelas famílias que não tem acesso a médicos durante os 365 dias do ano.

Sul21 – Uma das críticas ao programa é o fato de que somente a presença de um médico não resolve muitos outros problemas da área da saúde, como condições de trabalho e estrutura, por exemplo.
Marcos Tiaraju – É claro que o médico, sozinho, não consegue resolver os problemas da saúde brasileira. Esse médico precisa de uma equipe que dê suporte ao seu trabalho, de condições estruturais e do apoio dos demais níveis da área da saúde. Mas não podemos dizer que, se não tiver tudo isso, o programa Mais Médicos se torna sem serventia. O programa vai resolver muitas coisas, sim, principalmente do ponto de vista mais imediato. Vai fazer uma enorme diferença para as pessoas que não possuem atenção médica em suas comunidades. O que precisamos fazer é, ao longo do tempo, criarmos as condições que faltam para que os médicos tenham o suporte necessário ao seu trabalho. É preciso dar o primeiro passo, e esse primeiro passo é a ida do médico para a comunidade.

“Quer dizer, então, que, para ser médico neste país, é preciso ser loiro e ter olhos azuis?”

Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

“Imagina o meu caso, então: não sou loiro, não tenho olhos azuis e não estou dentro dos padrões estéticos que o mundo prega. Além de tudo, sou sem terra” | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Sul21 – Como tu vês as reações mais exacerbadas ao programa? Um médico cubano e negro foi vaiado e chamado de escravo por colegas brasileiros.
Marcos Tiaraju – É muito contraditório que um profissional que jurou defender a vida negue auxílio a um colega só porque ele é de outro país. Será que esses médicos brasileiros que fizeram isso estão cumprindo o juramento que assumiram? Será que estão cumprindo a função social da Medicina ou estão defendendo interesses pessoais e corporativos? Comentários como esses são vergonhosos. Acredito que quem diz uma coisa dessas não deve ter estudado história. A sociedade cubana, no que diz respeito a direitos trabalhistas, é muito mais avançada do que a nossa. Esses profissionais não vêm como escravos. Eles vêm ao Brasil porque assumiram para si o compromisso humanitário da Medicina.

Sul21 – Em outra ocasião, uma jornalista disse que as médicas cubanas têm “cara de empregada doméstica”.
Marcos Tiaraju – São comentários racistas e xenófobos. A sociedade se mostrou contrária a isso. Quer dizer, então, que, para ser médico neste país, é preciso ser loiro e ter olhos azuis? Morenos, negros, mulatos e pessoas que vêm de uma classe social menos favorecida não podem ser médicos? Imagina o meu caso, então: não sou loiro, não tenho olhos azuis e não estou dentro dos padrões estéticos que o mundo prega. Além de tudo, sou sem terra. Eu só me tornei médico na sociedade brasileira graças ao processo revolucionário cubano. Os médicos cubanos não vêm para ferir o interesse de ninguém, mas para ajudar os interesses do povo brasileiro que necessita de atenção médica. Os médicos brasileiros que não estão apoiando os colegas estrangeiros deveriam repensar se de fato são médicos. Será que esse indivíduo que não quer ajudar os colegas a resolver o problema de saúde do Brasil é, de fato, um médico? Será que ele assumiu um compromisso social com aquilo que estudou?

Sul21 – Como tu vês a falta de interesse em se trabalhar com saúde da família no Brasil? 
Marcos Tiaraju - A Medicina de família ainda no Brasil não foi encarada como uma prioridade. Não existe um incentivo durante a formação para que os profissionais atuem como médico de família. Já ouvi de bons colegas brasileiros que, durante a faculdade, é dito que trabalhar com saúde da família não dá status. Como se ser médico fosse defender um status. Os alunos são incentivados pelos professores a trabalhar em super especialidades, porque é o que dá dinheiro, status e faz crescer o nome do indivíduo.


23 comentários para ““Só me tornei médico graças ao processo revolucionário de Cuba”, diz Marcos Tiaraju”

  1. Claudio Reis disse:

    Parabéns pela matéria!
    Muito bom saber que o filho da Rose é hoje um médico e, além disso, continua defendendo entendendo a importância de defender nosso povo! Principalmente aqueles que ainda estão na luta pela terra, dado o completo esquecimento deste governo com relação à reforma agrária.
    Me emocionei em saber que está bem o primeiro filho da primeira ocupação do MST!
    Já traz no nome a sua história: Marcos Tiaraju!

    “Se somos todos irmãos
    Se todos somos amigos
    Basta um pedaço de chão
    Para a vitória do trigo!”

  2. Medico de família e comunidade disse:

    Assisti por inteiro a entrevista de um medico cubano há 12 anos no Brasil na câmara dos deputados. Todos deveriam ver o que ele diz. Ele diz que quem apóia esse negocio entre o Brasil e Cuba suja suas mãos de sangue. O marcos tiaraju estudou na ELAM que é diferente das outras universidades em Cuba. Ele diz que a medicina de família deve ser incentivada e também vê com bons olhos a iniciativa do governo. Ora, se você oferece uma bolsa, ao invés de salário, retira todos os direitos trabalhistas, como será incentivado uma carreira em que você não tem ferias, se tiver um filho ou ficar doente fica sem receber, enfim. Qual o incentivo nisso? Eu que estou aqui no interior do Brasil, já estou me preparando para deixar essa carreira infelizmente, porque não acho justo perder todos meus direitos trabalhistas. E quem está na faculdade, agora menos ainda vai querer essa carreira. Mas o medico marcos tiaraju esta de parabéns pela conquista e pelo trabalho. Deve também ter direito a ferias, decimo terceiro, fundo de garantia e melhor ainda, um plano de carreira.

  3. Maria Luiza disse:

    Prezado “Medico de família”,
    Por favor, me explica como o Marcos Tiaraju vai ter direito a tudo que você diz que ele merece, se os médicos brasileiros, no seu corporativismo mais mesquinho, fazem tudo ao seu alcance para impedir que ele pratique a medicina no Brasil?
    Fazer de tudo ao seu alcance inclui ameaçar deixar a profissão caso os “cubanos” venham a ter direito a exercer a medicina no Brasil.

  4. Maria Hein disse:

    Maria Luiza, falastes tudo! É um corporativismo mesquinho e egoísta! Tudo pra nós médicos, pouco pra vcs pacientes!

  5. Medico de família e comunidade disse:

    Explico dona maria luiza. Sou medico formado por universidade publica, residência em medicina da família e comunidade. Assim como o colega tiaraju, não nasci em berço de ouro, sou filho de operários e neto de agricultores. Estou trabalhando no interior do Brasil pelo regime estatutário. Agora, o que já não era CLT, piorou, já que a minha especialidade agora de acordo com o programa, não tem mais direito a salário, mas uma bolsa, sem ferias, decimo terceiro, fundo de garantia, auxilio doença ou maternidade. Essa história de culpar o medico pelo sucateamento da saude é imoral, desonesta, manipuladora. Esse governo deixou ao longo de 10 anos, mais de 40 mil leitos do SUS fechar. Deixou o medico na mão da política municipal que o demitia quando perdia eleição ou quando do seu interesse, e, muitas vezes dava calote. A ultima medida para interiorização do medico se deu com a criação do programa saude da família ainda antes do Lula. Alias, foi o próprio lula que vetou a criação de novos cursos de medicina no Brasil. Agora alguém me explica, se não tenho o direito de reclamar os meus direitos trabalhistas. Não tenho direito a ferias para visitar meus familiares que moram longe? Que incentivo é esse? Em relação aos medicos cubanos, toda a minha solidariedade, como medico no interior, sei a responsabilidade que carregamos. Agora alguém me explica por que eles não podem portar seu passaporte? Por que não podem trazer suas famílias? Por que não terão direito de ir e vir? E, por que receberão apenas 7% da bolsa oferecida aos outros medicos. Quanto ao colega tiaraju, colega de medicina e da atenção básica, nada foi feito para ele não exercer a medicina no Brasil. Ele voltou ao Brasil, com muita competência foi aprovado no revalida, e é um colega como qualquer outro. E, acredito, que tanto ele como eu, como os outros medicos que estão nessa luta no interior do Brasil merecemos direitos trabalhistas e plano de carreira, para que possamos progredir na nossa especialidade, aumentando a resolutividade e a qualidade da saude no interior. Infelizmente, o debate foi levado interesseiramente à retórica das elites… As elites medicas contra o povo… Não é assim, estamos falando do longo prazo, estamos falando de direitos trabalhistas, estamos falando de aumentar os menos de 4% que o governo federal investe na saude. Pode ter certeza, dona Maria luiza, aquelas meninas que foram vaiar o cubano no aeroporto não me representam e não representam a classe medica. Infelizmente elas caíram na guerra que o governo criou contra os medicos do Brasil e perderam a sua lucidez. Em relação ao contrato de trabalho dos cubanos, veja o que disse o colega cubano livre na câmara dos deputados. Esse contrato configura trafico de pessoas e regime similar à escravidão. Já existem ações de medicos cubanos exilados pedindo indenização por isso em cortes internacionais. Então, estamos falando de direitos humanos também, não é possível que se apóie medidas que ferem tratados internacionais, ferem leis brasileiras, a constituição brasileira, a legislação trabalhista e os direitos humanos de uma vez só. Tragam medicos dentro da lei, incentivem os que estão no interior a continuar, incentivem os que se formam a querer a medicina de família e comunidade, pensem além da eleição.

  6. marcelo50oliveira disse:

    Parabéns ao Dr.Tiaraju pela conquista. Mas quero fazer alguns comentários:
    Ele diz: ” O conteúdo da prova e o grau de dificuldade são o que de fato se espera de um médico generalista.” A Drª Andrea Campigotto em entrevista aqui no Sul 21 disse: ““As provas são injustas, porque têm um nível de médicos especialistas, preterindo os ‘generalistas’, ”
    E agora José ?

    Também discordo quando ele diz que são “110 questões para serem resolvidas em 5 horas” e compara com atender 110 pacientes em 5 horas. São coisas muito, mas bota muito nisso, diferentes.

  7. Medico de família e comunidade disse:

    É corporativismo querer direitos trabalhistas? Tá certo então. O que será feito depois desses 3 anos? Qual o incentivo para eu continuar no interior? Alguma comentarista escolheria uma carreira na qual serão eternas bolsistas sem nenhum direito, se podem tentar algo melhor, que possam ter ferias, por exemplo? Gostaria que jornal Ptsul21 fizesse uma entrevista com um medico cubano chamado Carlos Rafael Jorge jimenez. Ele é nascido e criado em Cuba, e seu depoimento foi apresentado à câmara dos deputados. Se quiserem assistir seu depoimento de 5 minutos é só procurar no YouTube. Verão a opinião de um medico cubano livre no Brasil. Triste ver como o governo com sua mídia conseguiu manipular parte da população com essa história de medicos contra pacientes. Um absurdo que dói muito para o medico verdadeiro que se alimenta da doçura e carinho de seus pacientes. Dói ver que a primeira medida do PT para a saúde, seja um programa paliativo, que desvaloriza principalmente o medico da família e comunidade que já esta no interior e periferias, usa o medico como bode expiatório para sua incompetência nesses 11 anos de gestão do SUS. Para onde foram esses mais de 40 mil leitos? Foram os medicos que fecharam? Se agora viram que faltam medicos, por que não criaram nenhuma faculdade federal de medicina? Se o colega tiaraju deve sua formação a Cuba, devo minha formação à ditadura militar brasileira, já que a minha faculdade federal e meu ótimo hospital escola foram criados no governo militar. Qual hospital que o PT criou? Que eu saiba, o da palestina. Quanto mais sou atacado, mais crio forças para atender cada vez melhor meus pacientes… Mais amor dou e recebo… Os velhinhos e velhinhas me adoram e eles, que precisam do atendimento do SUS, não me vêem como um mercenário insensível. Quem entra nessa história de culpar os médicos, não precisou ainda do sus. Não sabe o que é esperar um ano por um exame importante, não sabe o que é ter seu pai esperando um leito de UTI até morrer por não existir leito. Não sabe o que é ter um filho psiquiátrico e não ter leito, pois metade desses leitos sumiram nesses 10 anos. Em relação ao revalida, é uma questão que a sociedade brasileira terá que decidir em conjunto, não é através de uma medida provisória que se extingue uma lei que visa averiguar a capacitação do profissional que será responsável pela saude da população, e existe em qualquer país. Aliás, quem formula a prova é ministerio da saude, nao o CFM. Particularmente, não vejo isso como o mais importante no momento. Acho que o mais importante é o brasileiro conseguir pensar como o japonês, que faz suas escolhas mirando os próximos 30 anos, não essa mesquinharia de ver a eleição do ano que vem e ficar na pobreza de debate que culpa eu e meus colegas pela situação do sistema único de saude.

  8. Neli Colombo disse:

    Excelente entrevista!
    Penso que o Programa Mais Médios, e em especial, a experiência cubana de saúde pública, poderá suscitar um intercâmbio, que poderá promover uma nova produção teórica e prática para o campo da Medicina Clínica,

  9. A C Santos disse:

    Caro Medico de família e comunidade,
    Por favor, veja que o Marcos Tiaraju toca muito bem nas questões chave.
    Coloca claramente que o Revalida, da forma que é feito, é injusto.
    Toca também na questão da legitimidade quando diz: “Gostaria de ver qual seria o grau de aprovação se esta prova fosse feita por médicos formados no Brasil.”
    Ou seja, esta prova, para ser legítima, deve ser feita também pelos médicos brasileiros.
    Se não, é corporativismo, como dito pela Maria Luiza, entre outros.
    Não há notícia de que o governo quer mudar o contrato para os médicos brasileiros.
    Estes querem ganhar mais de R$ 10.000,00 por mês para uma carga horária semanal de 20 horas, que muito bem sabemos nem mesmo cumprem.
    Fico muito triste em ver esta inversão de fatos por parte de uma categoria que deveria se interessar mais pela verdade e ter compromisso com a população, não só com o próprio bolso.

  10. Marcelo Tskin disse:

    Conheçam as revolucionárias drogas cubanas que combatem o câncer, feitas de veneno de escorpião: vidatox e escozul. É a homeopatia no combate ao imperialismo farmacêutico!!!
    Dizem que Lula e Dilma foram curados com esses revolucionários medicamentos importados diretamente pelo Sírio-Libanês.

  11. Ricardo disse:

    Parabéns ao Marcos Tiarajú e aos entrevistadores. Viva a Revolução Cubana. Viva o MST.

  12. Medico de família e comunidade disse:

    Caro a. C. Santos, veja que não estou pedindo mais que dez mil reais por 40 horas semanais. Até porque ganho bem menos que isso aqui no interior do Brasil. Peço para eu e o colega tiaraju, direito a ferias, decimo terceiro, fundo de garantia, auxilio doença ou maternidade, além de um plano de carreira que estimule nosso aprendizado continuo e a nossa fixação no interior. Esse exame revalida se aplicado nos medicos brasileiros, aumentara o poder da classe, como acontece com a OAB. Existem péssimas faculdades comprovadamente inadequadas que foram avaliadas e fechadas pelo MEC que foram reabertas para aumentar o número de medicos. Pessoalmente, fui formado numa boa universidade federal, entre as melhores do Brasil, fiz prova difícil de vestibular e para residências, não tenho medo dessa prova, não. Se aplicada, aumentaria a minha reserva de mercado. Essa prova nunca foi feita pelo conselho de medicina, mas pelo próprio ministério da saude. Não há noticia sobre o contrato de trabalho que está sendo oferecido aos medicos da atenção básica? Claro que não! Essa noticia não interessa…interessa dizer que os medicos estão contra os pacientes para tirar a culpa desse governo que nada fez em 11 anos pela saude.. Entre no próprio site do ministério da saude e veja o contrato. Não temos nenhum direito e ainda, se resolver desistir antes de 6 meses devemos devolver o investimento. Que tipo de incentivo é esse? Qual é a idéia para o longo prazo? Para poder implementar um pacote que fere todas as leis trabalhistas, é dito que é uma bolsa de pós graduação em saude publica. Ora, isso é um escândalo! Nem eu, nem o colega tiaraju, nem os cubanos que estão vindo, estamos fazendo pós graduação! Estamos trabalhando no interior, sem apoio, com infra estrutura inadequada. Isso é um emprego, um trabalho importante, não uma bolsa de pós graduação! Ainda ninguém me explicou porque um governo tão interessado no povo deixou mais de 40 mil leitos do SUS fechar. 3.500 apenas no seu estado rio grande do Sul. Essa perseguição que estou sofrendo, me chamando de mercantilista, insensível ao povo, foi usada pelo partido nacional socialista da Alemanha para apontar o culpado para o caos e encobrir a incompetência do governo. Sou povo brasileiro também. Gostaria de algum dia não precisar pagar plano de saude também. E essa medida não aponta uma melhoria para a saude publica a longo prazo em nenhum ponto. Serão 3 anos de medicos cubanos no norte e nordeste e a precarização do contrato de trabalho. Que futuro isso tem?

  13. marianomonkey disse:

    Qualquer trabalhador ou pessoa públicos defendendo seu direitos=linda luta, progressismo, lutas dignas
    Médicos defendendo seus direitos=corporativismo
    Essa esquerda, hehehe

  14. Juvenal Dias dos Santos disse:

    O assunto que deveria ser discutido seria a medicina, seus profissionais e a qualidade do atendimento.
    Saber o porquê no Brasil, o médico sequer olha para o paciente. Ele quer mais é se livrar daquele indivíduo pobre e ignorante. Para que ele quer saúde?
    Infelizmente, em se tratando de brasileiros, a discussão descamba para o dinheiro. Seus direitos trabalhistas. Seus ganhos…

  15. fernando kowalczuk disse:

    Maravilhoso e oportuno depoimento. Este moço, além de médico deveria tb fazer palestras de esclarecimento pelo nosso pais para ver se mudamos um pouco, pelo menos um pouco, com os ensinamentos cubanos. Os nossos jovens são muito desinformados devido não terem a oportunidade deste médico que herdou dos seus pais a dedicação a uma causa honesta e construtiva socialmente falando…bela história !!!!!!!!!!!!!!

  16. Medico de família e comunidade disse:

    Bom, senhor Juvenal eu olho para todos os meus pacientes, examino e estudo no tempo livre para dar o meu melhor para meus pacientes, que são meus vizinhos e amigos aqui no interior. E o debate não descambou para dinheiro. Estou falando dos meus direitos básicos, como por exemplo receber auxilio caso fique doente, e ferias para visitar meus pais que moram longe daqui. Vejo que muita gente vive na fantasia de que Cuba é o paraíso. O medico cubano Carlos Rafael Jorge jimenez falou para a câmara, mas seu discurso foi editado pelo jornal nacional e jamais seria citado aqui. Ele diz que em Cuba, o medico trabalha 70 horas por semana e recebe 70 reais por mês. E diz no final: quem apóia a tirania cubana suja suas mãos de sangue. Está gravado. Passou na tv câmara para qualquer brasileiro ver, mas é claro que não é o canal que se assiste na tv neste país. Qual é o plano para a saúde publica do Brasil do futuro? Retirar os direitos trabalhistas dos profissionais da saude vai melhorar o serviço? Quem sabe retiramos os direitos dos professores, policiais, operários, funcionários públicos, políticos, CCs… Tudo vai melhorar! Partido dos trabalhadores que retira direitos trabalhistas de áreas sociais. Pior a mídia que encobre.

  17. Roberto disse:

    Esse tal médico de familia e comunidade tá mais interessado no próprio bolso e no seu salário e outras vantagens do que aprender o seu ofício e ajudar as pessoas.
    No início da minha carreira no interior,não como médico mas em uma outra profissão, eu estava interessado em crescer e aprender,nem me importava muito com o salário,desde que fosse suficiente, mas o médico brasileiro(com algumas exceções), infelizmente nasceu com essa falha de caráter,onde tem absoluta certeza de que vai ficar rico, e quer que isso aconteça o mais rápido possível, e os pacientes são apenas um detalhe nessa escalada.

  18. Marcelo Tskin disse:

    Verdade, Juvenal.
    Veja os professores do Estado. Só querem saber de piso, aumento salarial, só pensam em si mesmos, enquanto milhares de crianças pobres ficam sem aula.
    Podemos dizer o mesmo dos policiais.

  19. Carlos Eduardo Dominguez Martinez disse:

    Conocí a Marcos en el maravilloso proyecto llamado ELAM, fuimos compañeros en primer año, a decir verdad desconocía de su historia personal, pero siempre vi en el a un ser humano comprometido con sus principios y con su realidad, un luchador; yo soy de El Salvador, y para nosotros el proceso de incorporación al Sistema Nacional de Salud ha sido históricamente un camino de espinas, pero gracias al arduo trabajo realizado durante años por los colegas de promociones anteriores de nuestra ELAM en conjunto con el instituto político que representa los intereses de las mayorías históricamente excluidas, hemos tenido avances en el tema y actualmente muchos de nosotros (médicos egresados de la ELAM y profesionales egresados en El Salvador) fortalecemos la reforma de salud impulsada por nuestro actual gobierno desde el año 2009 acercando los servicios de salud a regiones olvidadas, incluyendo el acercamiento de especialistas a la atención primaria en salud. El mensaje que quiero transmitir es que para que ocurran cambios positivos de cualquier índole en el desarrollo de un país hace falta organización y fortalecimiento de la capacidad científico-técnica de su población, lograr el entendimiento de los sectores involucrados, concientización y voluntad política. Felicidades Marcos!!! Sigue adelante!!!

  20. Medico de família e comunidade disse:

    Senhor Roberto, se quisesse ficar rico, teria estudado cirurgia plástica. Estudei medicina de família e comunidade e estou há 9 anos no interior. Acho que dizer que tenho falta de caráter por achar errado romper todos os direitos trabalhistas da minha profissão é muita má vontade sua. Por que qualquer trabalhadora tem auxilio maternidade e uma medica que esta no interior do Brasil não? Eu reclamar direitos trabalhistas significa que não me importo com meus pacientes? Me importo muito com meus pacientes, sim. Rasgar direitos trabalhistas é um problema de todos não só meu. Abre um precedente perverso. Quem sabe ano que vem você perde ferias, decimo terceiro, fundo de garantia… Quem sabe perdemos também o direito de aposentadoria… Aí resolvemos o problema da previdência!

  21. Marcelo Tskin disse:

    E aí? Será que nossa elite intelectual de esquerda se trataria com os revolucionários medicamentos cubanos contra o câncer: vidatox e escozul?

  22. Roque Ott Steffen disse:

    Parabéns, Tiaraju. Conheci tua valente mãe. Deus te abençoe.

  23. Rosa benitez disse:

    Parabéns, Tiaraju. Muito orgulho de você.

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