27/jun/2014, 8h00min

Projeto de expansão incentiva formação de mão de obra para indústria

Foto: Divulgação Celulose Riograndense

Conclusão do Projeto Guaíba 2 está marcada para maio de 2015. Mais de 50% da obra civil está pronta.|Foto: Divulgação Celulose Riograndense

Lorena Paim

A menos de um ano da inauguração da expansão de sua planta em Guaíba, a Celulose Riograndense reafirma seu comprometimento com a valorização da mão de obra local e a preferência por fornecedores gaúchos. A qualificação de pessoal é uma das marcas que a indústria vai deixar, num processo que significa inclusão social e renda para muitas famílias. Para concretizar este objetivo, tem sido decisiva a parceria com os governos federal e estadual, prefeituras municipais e órgãos do Sistema S.

As obras de expansão devem estar prontas em maio de 2015 e representam o maior investimento privado feito no Estado, no valor de R$ 5 bilhões. A produção anual de celulose deve alcançar 1,750 milhão de toneladas de celulose branqueada de eucalipto, quatro vezes maior do que os números de hoje. Do total, 95% será destinado aos mercados da Ásia e da Europa, principalmente em matéria-prima para papel de higiene e limpeza e de impressão.

Cronograma

“Está tudo correndo dentro do cronograma no Projeto Guaíba 2”, afirma o diretor-presidente da CMPC Celulose Riograndense, Walter Lídio Nunes. “Já comprometemos cerca de 90% do orçamento, estamos com 52% da obra civil pronta e a instalação dos equipamentos segue em paralelo”, informa. Serão adicionados ao parque industrial 300 mil metros quadrados, junto ao Lago Guaíba, de onde sai a produção via fluvial para o porto de Rio Grande.

O projeto de expansão é antigo – de 2006 –, mas a decisão de tirá-lo do papel foi retomada em caráter efetivo depois que o grupo chileno CMPC assumiu o controle da empresa. Em 2012 foi assinado um protocolo de intenções com o governo do Estado para detalhar acordos já feitos e encaminhar novos detalhes. O projeto foi pactuado na Sala do Investidor, espaço coordenado pela Secretaria do Desenvolvimento e Promoção do Investimento, onde são atendidas empresas dispostas a investir no Estado.

Foto: Divulgação Celulose Riograndense

Cursos na área da construção civil levaram em conta 12 especialidades| Foto: Divulgação Celulose Riograndense

Um dos pontos importantes é o da qualificação de mão de obra, para o qual a Celulose faz parceria nos três níveis de governo, indo da Secretaria do Trabalho e do Desenvolvimento Social ao SINE- Sistema Nacional de Emprego, além de órgãos do Sistema S, especialmente o Senai. Para a expansão, a meta é treinar 6 mil trabalhadores (3.600 na construção civil e 2.400 na montagem eletromecânica). A indústria incentiva cursos que são ministrados pelo Pronatec, programa federal de ensino técnico. Fez propaganda e chamamentos na mídia e em pontos de rua, além do Trensurb, o metrô da Região Metropolitana de Porto Alegre.

“Começamos, com a Secretaria do Trabalho, a procurar em local público pessoal para trabalhar, mas foi com os Feirões de Emprego, com uma busca mais focada, que obtivemos mais resultados”, diz o coordenador de Relações com Partes Interessadas do Projeto Guaíba 2 da Celulose Riograndense, Claudio Ayres Moura. Este ano, foram feitos três grandes Feirões, em Rio Grande, Pelotas em Guaíba, onde foram selecionadas 1,7 mil pessoas. Mas muitas precisam de treinamento e devem se qualificar antes de ser efetivadas.

Atualmente, a obra absorve trabalhadores gaúchos e de fora do Estado em iguais proporções. Mas a meta é aumentar a presença dos locais. A Celulose incentivou 12 cursos para construção civil, colaborando com transporte, equipamentos e locais de aulas práticas, onde são simulados canteiros de obras. Na parte de montagem eletromecânica, são 15 cursos, nos diferentes segmentos. “Temos uma estrutura diferenciada, que fizemos junto com o Senai, em municípios como Guaíba, Arroio dos Ratos e Porto Alegre”, informa Moura.

Balcões de negócios promovidos pela empresa| Foto: Divulgação Celulose Riograndense

Balcões de negócios promovidos pela empresa| Foto: Divulgação Celulose Riograndense

Outro objetivo da Celulose, segundo o diretor-presidente Walter Lídio, é fortalecer as entidades de classe, pois há contato estreito na questão da mão de obra entre órgãos de classe de trabalhadores e patronais. Nos balcões de negócios realizados, diz ele, “procuramos dar o máximo de conteúdo local, em termos de fornecedores de materiais e serviços. A preferência por fornecedores gaúchos já gerou negócios no valor de R$ 1,5 bilhão”, acrescenta.

Este será o maior investimento histórico da CMPC, dentro ou fora do Chile. O grupo conta com mais de 25 fábricas. A Celulose Riograndense espera que, com a ampliação concluída, possa contribuir para o crescimento do PIB do Estado em 1,1%. “O Rio Grande do Sul foi escolhido pela CMPC por sua produtividade e pelo conhecimento na área florestal”, afirma Lídio. Graças à tecnologia de florestamento do Brasil, é possível se obter em sete anos uma árvore pronta para a extração de celulose, exemplifica, o que é um bom indicativo para o setor.

Desafio à empresa

Para Eliane de Moura Martins, diretora do Departamento de Trabalho da Secretaria do Trabalho e do Desenvolvimento Social (STDS), a parceria com a Celulose Riograndense “representa uma visão endógena do Estado, pois o governador fez um desafio a uma empresa de capital chileno, no sentido de dizer: vamos colocar este investimento aqui, de forma a beneficiar mão de obra e fornecedores locais”. Segundo ela, “a postura do governador e o aceite da empresa merecem destaque nesta questão”.

A STDS participou da articulação primeiramente na parte de mão de obra para a construção civil; o segundo momento, agora, é da montagem metalúrgica, em que se exige a instalação de muitos equipamentos e o nível de sofisticação aumenta. Nessa especialidade, ainda há cursos gratuitos sendo abertos (tendo em vista não apenas a Celulose Riograndense, mas também outros empreendimentos). No Pronatec, são 160 horas de aulas, com cerca de três meses de duração, em que o aluno ganha ajuda para transporte e alimentação.

A diretora lembra que os mutirões promovidos pela STDS, FGTAS e SINE mobilizaram bastante as cidades visitadas, pois além das vagas oferecidas deram aos interessados a oportunidade de fazer a carteira de trabalho.

Confira o vídeo:

https://www.dropbox.com/s/9gy1chl2bpdn0eq/Celulose_Case_Celulose_03.mp4

 



 

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