1/jan/2015, 8h11min

O racismo no Brasil é uma ficção, menos para quem o sente na pele (por Vinicius Wu) 

O Brasil conseguiu desenvolver a fantástica capacidade de produzir, diariamente, casos de racismo numa sociedade na qual ninguém é racista. A torcedora que chama o goleiro de macaco não é racista; o colunista que escreve artigo racista no jornal não é racista. O racismo, portanto, só pode mesmo ser uma ficção criada pelos negros.

E agora, em nome de uma suposta “liberdade de opinião”, vai se cristalizando no Brasil um perigoso convívio com a intolerância e o fascismo em alguns dos principais veículos de comunicação do país. Estamos naturalizando insultos, agressões verbais e preconceitos em programas de tv, rádio, na internet e em artigos de jornal.

E não se trata apenas de racismo. O fenômeno é o mesmo que autoriza um sujeito a retratar o verão no jornal, exclusivamente, através de fotos de mulheres de biquini sem ser sexista ou um engraçadinho a fazer piada homofôbica na TV sem ser homofóbico.

O último episódio ocorreu no Rio Grande do Sul, onde um colunista de um dos principais jornais do estado achou normal elogiar Punta Del Este (no Uruguai) pelo fato de lá não existirem negros. No artigo há outros absurdos.

Alguns de seus colegas defenderam o veículo que os emprega elogiando a postura do jornal em acolher “diferentes opiniões”. Um outro, através dos argumentos mais simplórios, acusou aqueles que criticaram o artigo de promoverem… o ódio.

Mas, e se um chargista enviar o desenho de uma suástica para publicação no mesmo jornal? E se outro colunista resolve elogiar os campos de concentração nazistas? Deve ser publicado em nome da “liberdade de opinião”?

Alguém precisa explicar à turminha que, numa República democrática, incitação ao ódio e à intolerância não são considerados “opinião”.

O cinismo está se tornando uma espécie de religião para uma parcela expressiva de nossos “formadores de opinião”. Ética e responsabilidade não valem nada. Basta escrever depois uma notinha pedindo desculpas pelo “mal-entendido”.

Racismo, sexismo, homofobia, é claro, são praticados por pessoas “mal compreendidas” (Perdoem nossa falha!). E assim vamos reproduzindo-os impunemente.

O racismo é uma ficção no Brasil, menos para quem o sente na pele.

.oOo.

Vinícius Wu é historiador pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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  • Elisa

    O racismo é uma ficção criada pelos Petistas, porque petista precisa de poder, tão pequeno que é para se auto afirmar no cenário político. E poder, doa em quem doer, exige que uns sejam mais fortes que os outros! A estratégia divisionista, se de um lado fortalece a quem a engendra por esperteza, do outro lado enfraquece aos que pensam serem objeto da “proteção” do outro, que quer ser forte, sempre mais e mais forte. A história é farta de exemplos! Ressalto que não li o artigo no tal de “alguns veículos de comunicação do país” (tudo tem que ter denominação e rótulo específico), mas percebo que tudo dá no mesmo lugar, pois são repetitivas as alusões aos que teimam em ser independentes, em não “irem na onda” dos intelectualoides. a miscigenação brasileira é graça que Deus nos deu. Não queiram destruí-la! Não somos e nunca seremos “raça” pura, como sonhou Hitler em seus devaneios psicóticos, e temos o orgulho de ver a sociedade repleta de valores humanos, autênticos brasileiros que engrandecem a nossa história! Temos ídolos hipócritas e sem valor também, espertinhos, que nada fizeram além de cuidarem de si mesmos, mas eles passam! E, outra: mulheres de biquíni não são símbolos sexistas, da mesma forma que homens malhadões, de shorts lindos, são apelos aos gêneros, ora femininos, ora masculinos, uns atraindo aos outros pela beleza, pela libido, pela vaidade ou por qualquer elemento causal legitimamente humano e divino. Que pena que não conheço Punta del Este, mas que mal há em, por razões subjetivas e permitidamente democráticas ( ainda, graças a Deus), alguém simpatizar mais com uma população de descendência germânica, ou oriental, ou asiática, ou africana? Isto não é preconceito, cara! Piadas existem para quem tem senso de humor, e quanto mais inteligentes, melhor! Na moda está repetir trejeitos de homossexuais masculinos, e eles gostam tanto disso que cada vez “exageram” mais e mais. Quem não se lembra da famosa Vera Verão que fazia desse tipo de humor sua profissão habitual? E a Rogéria, quem não a conhece, que, embora seja homossexual masculino, prega a quem quiser ouví-la que “nasceu Astolfo e não pretende se mutilar fisicamente”. Também a palavra “ódio” (não o sentimento) tem sido exageradamente usada e abusada pelos petistas, para alcançarem objetivos escusos. Onde têm encontrado munição para tanto? Não sei, mas precisamos nos acautelar com tamanha barbárie, ou nossa República brasileira ainda “vai para os ares”. E, por falar em “suástica”e em “campos de concentração”, em pura obediência à intenção do Autor, falar, fazer humor, fazer charges, tudo isso pode, porque nosso país preza a democracia, apesar dos ideológicos de esquerda radical e de plantão. Sobre o “sentir na pele” o racismo, penso que na pele se sente é a baixa auto estima, pois quem tem a auto estima alta se realiza pelo que é e nunca pelo que os outros pensam que ele é. E, a propósito, a torcedora gaúcha, covardemente levada ao calvário e crucificada porque foi flagrada pela câmera da TV com a expressão labial ” macaco”, eis que o Goleiro Aranha segurava a bola para ganhar tempo e confirmar a derrota do time dela, se aquilo for racismo, diga-me como ficam, no contexto, as famosas “LOURAS BURRAS” que a tantos fazem rir ? Isto também é racismo? Ou é tema tradicional do humor brasileiro? E, mais, por que os Coreanos do Norte foram obrigados a “chorarem, vertendo lágrimas copiosamente e soluçando em prolongado estado de sofrimento”, tudo em praça pública, quando faleceu o ex ditador, que era pai do atual? É isto que querem para o Brasil? Sabem quando vão conseguir? Nuuuuuuuuunnnnnncccccaaaaaaaaa!!!!!!! Estude, estude, estude sempre, para que não seja vítima nem autor de qualquer pretensa imposição governamental descabida! Feliz Ano Novo!

  • Cicero Justo

    “O racismo é uma ficção criada pelos Petistas, porque petista precisa de poder” … li até aqui o comentário acima e parei. Racismo então é “ficção”??????? Não sei nem como argumentar contra isso. Não li o resto, nem pretendo …

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  • Pedro Carraro

    O Uruguai é a vanguarda da América Latina.
    No Uruguai não existem índios.
    Pelo raciocínio do autor deste texto (e outros tantos que pensam como ele), eu estou dizendo que o Uruguai é a vanguarda da América Latina porque no Uruguai não existem índios.
    Errado, é apenas uma constatação.
    Paulo Santana (de quem não sou fã nem leitor assíduo) apenas fez uma constatação que qualquer um que conheça Punta del Este e a intriga entre uruguaios e argentinos já fez também.
    (Em tempo: não considero o Uruguai a vanguarda da América Latina, usei apenas como exemplo).

  • Parabens pelo texto.
    Temos debatido o tema aqui ao lado no blog Saúde publica(da) ou não
    Em especial, no caso, a Conduta Discriminatória do racista.
    Em Medicina não podemos deixar de pensar em prevenção da conduta que causa sofrimento humano, físico e/ou mental.
    Pouco avançaremos, nesta questão, se não pudermos acabar com a invisibilidade/indefinição do racista.
    Não acreditamos na diminuição dessas ocorrências racistas enquanto os discriminados não lutarem para acabar com a invisibilidade do racista.
    Infelizmente o “que sente na pele” não se interessa em definir o racista e/ou a conduta discriminatória racista.
    Enquanto a ciência não definir estas questões, toda e qualquer pessoa poderá ter sua própria “opinião”.
    Até lá “ninguém é racista”…

  • Marcelo

    O carinha tomou tanta bordoada no post anterior que ficou engasgado e precisou colocar a frustração em outro post. Isso se conhece por não saber perder. E vai ficar falando e falando e falando até que os comentários a favor sejam maiores e então ele se sentira completo, tipo realizei a minha missão. E sobre o Nazismo, o nosso amigo parece meio desinformado, a final o professor de Santa Catarina foi escancarando pelo mesmo jornal racista no ano de 1995 e recentemente. As vezes acho que os brancos sentem mais o racismo do que o próprio negro. Isso parece uma compaixão elevado a potência. “E o cara brnco diz: Olha, olha o cara branco falou de negro, falou de ti meu irmão, vou tomar as dores por ti, pois tu não tem capacidade para se defender e preservar contra isso.” Texto de quem ficou muito, mas muito magoado com quem leu e comentou o post anterior heueuheuheuheuhue. Não assimilou…