11/jan/2017, 1h30min

O PT e a necessidade da luta contra o Golpe (por Luciano Lima)

O golpe que depôs a presidenta Dilma não só comprometeu os elementos democráticos existentes no estado brasileiro como expôs a fragilidade organizativa e de estratégia da esquerda brasileira.

Por um lado, parte da esquerda que se opunha a Lula e ao PT viu desmanchar-se a ilusão de que a derrota política desses representaria um crescimento de partidos e propostas mais radicais. O crescimento da direita, inclusive fascista, no processo do golpe foi tão implacável como a dureza enfrentada pelos servidores estaduais e a população dependente dos serviços públicos a partir da derrota do Governo Tarso no Rio Grande do Sul.

Por outro lado, parte considerável do PT, em especial figuras públicas, se vê tentada por outra ilusão: a de que o golpe passou e trata-se agora de se recompor eleitoralmente e reocupar o centro do espaço institucional. Decorrentes desse pensamento surgem as articulações para composição das mesas da Câmara Federal e do Senado, prevendo o apoio aos protagonistas do golpe como se nada tivesse acontecido.

Essa ilusão é um caminho para o aprofundamento da derrota. Sob o pretexto de não isolar-se no parlamento arrisca-se adotar uma política que ampliará o isolamento com relação ao povo. Não, o golpe não acabou! Ele segue impondo políticas e narrativas conservadoras, restringindo direitos e conquistas e não permitirá a recomposição eleitoral pura e simples da esquerda. Resistir ao golpe exige a demonstração clara para a população do que ele significa e quem são seus agentes. Conciliações parlamentares não darão capacidade de ressignificação de nosso projeto para a sociedade, ao contrário nos afundarão no pântano da rejeição política.

Ao contrário de uma parte do PT que defende uma autocrítica do partido pelos seus “erros”, penso que não é necessária “autocrítica” pela construção que nos levou a ganhar a Presidência da República e governar, o que é necessário exigir do PT é que ele lute contra o Golpe que tirou o projeto popular do governo. Denunciar o Golpe e seus alicerces na manipulação midiática e em farsas jurídicas, através do árduo trabalho de organização popular aliada a defesa intransigente de Lula e a construção e propagação de propostas para o Brasil – considerando o que não avançou nos Governos Lula e Dilma – deve ser o centro da estratégia para reconquista dos espaços de direção do Estado revalidando o papel histórico do PT para o povo brasileiro.

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Luciano Lima é presidente do Diretório Municipal do PT, Pelotas-RS

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