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Data:12/dez/2013, 8h34min

O fim do cigarro e o fim da História

Estimados sulvinteumenses, a modéstia me impede de dizer a vocês que o meu livro Filho de Peixe venceu o Açorianos de literatura nessa semana.

Adoraria estar presente, mas minha função de chefe de cozinha do Manuel Carneiro da Cunha me manteve preso à São Paulo, pra felicidade de todos que tiveram a honra e a glória de ver a minha mãe em ação, recebendo a estaltua em meu lugar.

Nessa semana alvissareira, onde apenas o não rebaixamento do Inter ensombreceu os nossos dias, outra ótima notícia pula do Twitter diretamente para os meus olhos: o número de fumantes no Brasil caiu 20% nos últimos seis anos, estimados sulvinteumenses! Vinte por cento!

Assim, bastam mais uns vinte anos e acaba esse flagelo, porque, ao que parece, não estão surgindo novos fumantes para substituir os que deixam de fumar ou deixam essa vida de forma mais definitiva.

Se esses dados estiverem corretos, e não há muito porque duvidar deles, existe túnel e luz no final dele. Por um processo natural de evolução, os fumantes vão nos livrar dos fumantes e, por consequência, do cigarro.

Se isso for verdade, se a queda se acelera dessa forma, não temos fumantes, mas sim ainda-fumantes, por um tempo mais, enquanto todos mudam e a humanidade passa a se dividir em jamais-fumantes, ex-fumantes, e ex-funcionários da Souza Cruz, para o bem de todos.

Que coisa mais alvissareira, caros leitores! Isso mais o rebaixamento do Fluminense e Vasco tornam os nossos dias ainda melhores.

Eu vivo em São Paulo, onde José Serra, quando não estava sendo atingido por bolinhas de papel, implantou boas leis como a dos genéricos, a da Cidade Limpa e do estado livre do cigarro, que aqui pegou imediatamente. O mundo era uma névoa infernal e assim, subitamente, de um dia para o outro, puff, acabou.

Eu lembro de sair para bares, lugares muito legais dos quais SP está cheia, e ver aquele monte de gente com o bracinho pra cima, a fumaça subindo, como se não batesse no teto e de volta aos nossos poros e narinas. Eu lembro de passar por fumantes em uma fila para entrar em algum lugar e sair chamuscado do outro lado. Eu lembro do horror de estar sendo sufocado a troco de nada, apenas para que uns fumantes pudessem se auto-destruir levando todo mundo junto, a coisa mais parecida com uma humanidade lemingue que jamais vi.

E cá estamos, tudo isso virando um passado de que já nem lembramos direito, exceto quando passo por aquele oásis de barbárie também conhecido como bar Tuim, aí em POA.

O que tudo isso quer dizer é que o Manuel, com seus dois anos de idade, jamais foi exposto a fumaça de cigarro. Nunca, em lugar algum, never. Ele não deve saber o que isso seja, já que ninguém entre os amigos, a família, os coleguinhas, fumam. Quando sai à rua, os poucos fumantes se mostram claramente constrangidos ao ver um bebê, e saem de perto. Manuel vai crescer num mundo onde o cigarro, que já foi tão normal quanto a escravidão, a gasolina com chumbo, o aerosol assassino de ozônio, a peste negra e os tomates secos, vai igualmente desaparecer. Que beleza.

Eu agora penso que talvez alguns leitores, ainda-fumantes, possam se sentir de alguma forma atingidos por essa coluna, como se ela fosse uma crítica a eles. Não é. É uma celebração do futuro, no qual ainda-fumantes serão escravos libertos, um mundo melhor para todos.

Aí no Rio Grande do Sul ainda temos muita gente que depende da plantação de tabaco, o que significa basicamente plantar e produzir algo que só serve pra fazer maldade. Isso é péssimo para todos. Para eles, que provavelmente adorariam se libertar dessa dependência econômica com algo que sabem ser nocivo, para todos os gaúchos, que se vêem transformados nos campeões nacionais da pior produção agrícola possível, depois do brócolis.

Não encontramos ainda uma forma decente de lidar com o ato de fumar. Se ele é um ato de liberdade, ele também representa o momento em que a liberdade se volta contra quem a pratica. Aprendemos a limitar os danos proibindo o fumante de causar danos a quem o cerca, e isso é um começo. Precisamos aumentar a proteção ao fumante contra o cigarro, o que hoje se faz elevando, muito, o preço. Do resto, o tempo cuida.

Leio ainda que a partir de janeiro teremos uma gasolina com menos enxofre, e lembro que, se a luta contra o cigarro já está vencida, existem outras. Não é possível que a gente tenha que respirar o que todos esses veículos a diesel e gasolina jogam no nosso rosto. Se podemos parar com o cigarro, temos que parar com combustíveis fósseis, e esse é o desafio do século 21.

Pelos meus brônquios, pulmões, olhos, nariz e boca, pelo Manuel, que corre por aí respirando o ar de São Paulo, eu estou tão dentro dessa luta que não sei sequer como estar fora. E assim a gente vai, em frente, em frente, em frente.

Marcelo Carneiro da Cunha é escritor.


5 comentários para “O fim do cigarro e o fim da História”

  1. PAULA MORNES disse:

    Que texto ruim! O estilo é péssimo, fragmentado, desagradável. Quanto ao conteúdo, nem sou fumante, mas a paranóia do autor é algo notável. Convenhamos, ninguém morre ou fica doente por frequentar vez que outra um ambiente com fumantes. Quanta bobagem!

  2. Z disse:

    verdad señora !

  3. Antonio Fumaça disse:

    Esse cara deveria ter usado o tempo para fazer outra coisa, poderia escrever sobre receita de bolo ou de mocotó. Que mesmice.

  4. Fernando disse:

    Não gosta do Tuim, não vá lá ou em qlquer lugar que permita que se fume. Não gosta de fumar não fume. Agora, proibir um estabelecimento de permitir em seu ambiente interno privado que se fume é de um autoritarismo atroz. Em locais públicos, prédios públicos, ok, concordo. Mas em bar, onde só vai quem quer??????? Que monte um bar para não fumantes…Proibir q se fume em bar é o fim da picada e a vitória do moralismo autoritário (oq já ocorreu, infelizmente).

    PS: Não sou fumante.

  5. Iporã disse:

    Vejo essas críticas acima um tanto individualistas demais, heim.
    Pessoas com um certo senso de sanidade se sentem agredidas fisicamente pela fumaça de cigarros alheios.
    Concordo com o Marcelo, pelos pulmões de uma sociedade que se diz racional e civilizada, a indústria do cigarro merece atrofiar por essas bandas do globo.

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