26/fev/2013, 5h55min

Gestão profissional dá impulso a cooperativas agropecuárias no RS

Ações estratégicas são fundamentais para identificar movimentos de mercado, diz gerente de operações do BRDE | Foto: Mauro Mattos/Palácio Piratini

Felipe Prestes

Em 2010, cinco cooperativas da Serra gaúcha que tinham dificuldades com a comercialização de vinhos a granel se uniram, formando a Cooperativa Nova Aliança. A união permitiu que a nova entidade passasse a migrar cada vez mais sua produção para vinhos e sucos engarrafados. Esta produção cresceu 25% no último ano ao passo em que a as vendas de vinho a granel seguem em tendência de queda. “Os indicadores mostram que fizemos a coisa certa”, afirma o presidente da Nova Aliança, Alceu Dalle Molle.

Graciele Dequi, gerente de operações do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), que financiou o projeto, ressalta a importância da gestão profissional das cooperativas que formaram a Nova Aliança. “Uma cooperativa, identificando as flutuações do mercado, pode alterar o mix de produtos vendidos em determinado momento”, afirma.

Ela conta que no Rio Grande do Sul já há muitas cooperativas trabalhando com planejamento estratégico, metas, monitoramento, uso de assessoria externa, entre outras medidas que caracterizam uma gestão profissional. Estas ações são essenciais para identificar os movimentos do mercado e traçar estratégias a partir dos diagnósticos.

Por outro lado, cooperativas que não têm bom trabalho de gestão tendem a cristalizar práticas e não conseguir fazer mudanças necessárias. “Uma cooperativa com gestão mais restrita não conseguiria identificar nem se adaptar rapidamente a estas mudanças e possivelmente trabalharia com resultado negativo, deteriorando a situação econômico-financeira e diminuindo o patrimônio da cooperativa e dos associados”.

Alceu Dalle Molle esteve ao lado do governador Tarso Genro em inauguração da pedra fundamental da sede da cooperativa Nova Aliança, em janeiro | Foto: Caco Argemi / Palácio Piratini

Além disto, ela também ressalta que em uma cooperativa não deve haver apenas ganhos para os produtores. A saúde financeira das próprias cooperativas também é essencial. “A cooperativa tem que buscar o melhor resultado para o associado mas também para si, para que possa continuar crescendo e ter suporte nos momentos de dificuldade no mercado. É muito importante desmistificar a questão do resultado numa cooperativa: se ela não tiver uma reserva para momentos adversos, terá muitas dificuldades em sobreviver”, explica.

Alceu Dalle Molle destaca que para cumprir as exigências feitas pelo BRDE e pelo BNDES para seu projeto a Nova Aliança melhorou muito sua governança. “Conseguimos separar bem a execução da administração e buscar cada vez mais transparência”, afirma. A transparência é justamente um dos aspectos que costumam melhorar em cooperativas que adotam boas ferramentas de gestão, segundo Graciele Dequi.

Para auxiliar na profissionalização da gestão de cooperativas agropecuárias, o BRDE trabalha como repassador de três linhas de financiamento: o Pronaf Agroindústria, o Prodecoop e o Procap Agro. O primeiro tem os juros mais baixos, de 1 e 2% e limite de até R$ 30 milhões. O segundo tem juros de 5,5% ao ano e financia até R$ 100 milhões. O terceiro tem juros de 5,5 e 9% e financia até R$ 50 milhões.

A gerente de operações do banco destaca que o produtor agropecuário faz parte de cooperativa para que isto lhe permita adquirir insumos com menor preço, viabilizar a comercialização de seus produtos e receber assistência e que esta união tem sido vital para o setor primário. “É ponto pacífico que muitos produtores somente se viabilizam em função da sua cooperativa”, afirma.

“As cooperativas com maior nível de profissionalização apresentam resultados maiores”, afirma Gerson Lauermann | Foto: SESCOOP-PR / Divulgação

“Cooperativas com maior nível de profissionalização apresentam resultados maiores”

Para Gerson Lauermann, gerente de Desenvolvimento e Autogestão do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado do Paraná (Sescoop-Paraná), hoje é impossível pensar em cooperativas sem uma gestão profissional. No Paraná, as cooperativas respondem hoje por 55% do agronegócio parananense e dez delas têm faturamento superior a R$ 1 bilhão.

“Notadamente as cooperativas com maior nível de profissionalização apresentam resultados maiores em relação as demais cooperativas, os indicadores econômicos e financeiros geralmente são os melhores e seguem uma tendência de crescimento ainda maior.agro As decisões de investimento nas cooperativas profissionalizadas obedecem aos requisitos básicos de análise de retorno do capital investido, o potencial de mercado, a capacidade de financiamento próprio e o grau possível de endividamento”, afirma o gerente de Desenvolvimento e Autogestão da Sescoop-Paraná.

Lauermann exemplifica com dois cases do Paraná, de cooperativas que saíram de situações muito difíceis com a profissionalização da gestão a Cooperativa Agraria de Entre Rios, com sede em Guarapuava, região centro-sul do Paraná e a Capal, de Arapoti, norte pioneiro. A Cooperativa Agraria de Entre Rios passou de um faturamento de R$ 285,9 milhões em 2000, para R$ 2,08 bilhões em 2012 . A Capal, que tinha um faturamento anual de R$ 65,1 milhões, neste mesmo período, ultrapassou R$ 568,1 milhões em 2012. “São duas cooperativas que passaram por momentos de dificuldades no final da década de 1990, apresentando endividamento elevado, tesouraria negativa e geração de caixa insuficiente para fazer frente ao total das suas obrigações. A partir da profissionalização da gestão os indicadores econômicos e financeiros entraram em recuperação e hoje demonstram a total revitalização das mesmas”, afirma.

Graciele Dequi: “É ponto pacífico que muitos produtores somente se viabilizam em função da sua cooperativa” | Foto: Antonio Paz/Palácio Piratini

De acordo com Lauermann, para serem ágeis e competitivas as cooperativas precisam estar permanentemente atentas às tendências do mercado e evoluções tecnológicas. Esta tarefa deve ser realizada com a contratação de profissionais experientes, ou pela formação de colaboradores. Por isso o Sescoop-Paraná ofereceu às cooperativas, através de parcerias com instituições de ensino superior e empresas de treinamento, em 2012, um total de 5.000, entre os quais 43 MBA e pós-graduações com a participação de aproximadamente 1.500 profissionais. “Todos os eventos direcionados de acordo com diagnósticos e levantamentos de necessidades das cooperativas, buscando assim a aplicação de forma eficaz os recursos oriundos das próprias cooperativas”, explica.

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