12/mar/2013, 5h56min

Expodireto marca consolidação de programa estadual de irrigação

Governo gaúcho  visita propriedade beneficiada pelo Programa Mais Água, Mais Renda em Formigueiro/RS | Foto: Caco Argemi/Palácio Piratini

Felipe Prestes

As vendas de sistemas de irrigação na Expodireto/Cotrijal, que ocorreu na semana passada, chegaram a um valor próximo de R$ 84 milhões, com a comercialização de 480 equipamentos, suficientes para irrigar 17 mil hectares de lavouras. Os números foram divulgados pela coordenação do Programa Mais Água, Mais Renda na última sexta-feira (8). “O programa deslanchou. A procura foi muito grande na Expodireto”, comemora o secretário estadual adjunto de Agricultura, Cláudio Fioreze.

Instituído em março de 2012, o Mais Água, Mais Renda, por sua vez, disponibiliza R$ 75 milhões anuais para aquisição de equipamentos de irrigação, tanto para pequenos quanto para grandes produtores. Em matéria realizada pelo Sul21 em novembro do ano passado, Fioreze reconhecia que o programa ainda estava em fase de implementação. Agora, ele garante, o programa se consolidou e vai até ultrapassar a meta estipulada.

Cláudio Fioreze comemora resultados do Mais Água, Mais Renda na Expodireto: “O programa deslanchou” | Foto: Alina Souza/Palácio Piratini

O objetivo inicial do Mais Água, Mais Renda era dobrar a área irrigada de lavoura de sequeira (não inundada) do Estado, que era de 100 mil hectares. Em 2012, a área irrigada aumentou em 30 mil hectares e a projeção para 2013 é de 40 mil. “Em resumo, faz 30 anos que começou a se irrigar no RS áreas de sequeira e até hoje havia 100 mil hectares. Vamos com tranquilidade bater a marca de 100 mil hectares até 2014, em três anos o que havia sido feito em 30. É uma coisa de Kubitschek”, brinca o secretário-adjunto, em alusão ao slogan “cinquenta anos em cinco” do Governo JK. “Claro que nem tudo dos 30 mil hectares de 2012 foi subsidiado pelo Mais Água, Mais Renda, mas muitos produtores se valeram do licenciamento ambiental do programa, ou mesmo pela divulgação da irrigação que tem sido promovida”, explica Fioreze.

Com a participação em um estande específico para oferecer financiamento para irrigação e prestar informações sobre o Programa Mais Água, Mais Renda, o BRDE também comemora os resultados na Expodireto. Os pedidos de financiamento ao banco para irrigação totalizaram R$ 44,8 milhões durante o evento, cerca de 20% de tudo o que a instituição recebeu de pedidos na feira (R$ 224,47 milhões).

“Em 2012, aumentamos em 94% o financiamento de pivôs centrais. O grande atrativo foi o Mais Água, Mais Renda”, conta o diretor administrativo do banco, José Hermeto Hoffmann. “Se fala em irrigação há muito tempo no RS, mas nosso agricultor tem uma tendência à loteria, a apostar. Só que nos últimos dez anos as secas estão mais frequentes. Temos que superar as secas de verão com irrigação. Estamos muito empenhados neste programa”, completa.

“Se fala em irrigação há muito tempo no RS, mas nosso agricultor tem uma tendência à loteria, a apostar”, aponta José Hermeto Hoffmann | Foto: Vera Ambrozi

Segundo Hoffmann, a irrigação é necessária não apenas para os períodos de seca. Ele afirma que mesmo em um verão como o atual, em que tem chovido, os produtores que têm irrigação ligam ela quando fica alguns dias sem chover e isto gera grandes benefícios. “Estes agricultores estão colhendo cerca de 30% a mais”, conta. “Precisamos divulgar o mais possível os resultados econômicos da irrigação”.

Com esta finalidade, o BRDE tem feito reuniões em cooperativas para apresentar o programa aos integrantes das entidades e auxiliar a quem quiser aderir. “O BRDE tem sido muito importante. Tem um relacionamento muito forte com médios e grandes produtores e sempre acreditou no programa. É um parceiro de primeira hora”, afirma Cláudio Fioreze.

Entre 2009 e 2012, 40% das novas áreas irrigadas foram financiadas pelo BRDE. “Mas isso dá apenas 25 mil hectares. Temos 4 milhões de hectares no Estado (de sequeira). Este é o tamanho do desafio. Precisamos mudar a cultura e isto deve levar gerações”, afirma Hoffmann.

Nova tecnologia feita no Estado amplia o leque de opções para irrigação

Cláudio Fioreze destaca uma novidade que deve ampliar a irrigação nas plantações de milho, soja e sorgo no Rio Grande do Sul. O Instituto Rio-Grandense do Arroz e a empresa privada KF desenvolveram em parceria uma plantadeira (denominada microcamalhoneira) que irriga grãos como soja, milho e sorgo usando os sulcos de terras que são normalmente utilizadas para o arroz (terras baixas). “O RS possui cerca de 3,5 milhões de hectares de terras baixas. De 1 a 1,5 milhão são cultivadas com arroz e o resto fica em pousio, ou é usado para pecuária. Temos um potencial enorme de implantar outros grãos nestas terras, em especial, o milho, já que temos um déficit desta produção, o que prejudica a criação de aves, suínos e produção de leite”, afirma o secretário-adjunto.

Mesmo em verões chuvosos como o atual a utilização de equipamentos de irrigação gera grandes benefícios, diz diretor administrativo do BRDE | Foto: Vera Ambrozi

Entre as vantagens da nova tecnologia está o preço, de R$ 500 por hectare irrigado; outras tecnologias custam em média R$ 5 mil por hectare. Além disto, consome pouca energia, porque a irrigação se dá por gravidade, das partes mais altas para as mais baixas, utilizando-se dos sulcos feitos usualmente para a inundação das lavouras de arroz.

A máquina foi implementada experimentalmente na safra 2011/2012 e para a safra 2012/2013 já foi incorporada ao Mais Água, Mais Renda. “Foi um sucesso muito grande. Tanto que a empresa que fez está ampliando a fábrica, que fica em Candido Godói”, conta Fioreze.

Na Expodireto, através de micro-camalhões, totalizou R$ 1 milhão de reais, com estimativa para 4 mil hectares, com a venda de 15 plantadeiras que foram fruto da parceria entre IRGA e KF. O segmento de pivots (aspersão de grande porte), para plantações de grãos, totalizou 11,2 mil hectares, comercializando R$ 75 milhões e 205 equipamentos. Outro método que teve um impulso importante foi o de microaspersão, com 250 projetos, totalizando mil hectares e R$ 1 milhão de reais. No método de gotejamento subterrâneo, foram pré-contratados 10 sistemas para uma área de aproximadamente 800 hectares e R$ 7 milhões.

Como funciona o Mais Água, Mais Renda

O Governo subvenciona parte dos financiamentos, feitos por linhas de crédito já existentes, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) e o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (PRONAMP). Para os pequenos produtores, o Mais Água, Mais Renda paga a totalidade da primeira e da última de um total de dez parcelas (uma por ano, com carência de três anos para o pagamento da primeira parcela). Ao médio produtor, o programa subvenciona 75% da primeira e da última parcelas, e ao grande produtor 50%. A avaliação do Governo é de que arrecada mais em ICMS estimulando a irrigação do que os R$ 75 milhões anuais com que auxilia os produtores.

Governo gaúcho subvenciona financiamentos por linhas de crédito já existentes, como o PRONAF e o  PRONAMP | Foto: Vera Ambrozi

Além das subvenções, o Mais Água, Mais Renda também desburocratiza o licenciamento e outorgas. Não é preciso fazer um licenciamento individual para construir um açude de até 10 hectares ou irrigação de até 100 hectares de área irrigada. A Secretaria possui licenciamento até 2016 e basta que os projetos estejam dentro de especificações técnicas exigidas. As outorgas, que são uma segunda etapa, também foram facilitadas. O produtor ou o técnico consegue uma outorga provisória pela internet, que já permite a liberação do financiamento. Para que os produtores tenham projetos que se enquadrem nos requisitos técnicos e de respeito ao meio-ambiente, a Secretaria de Agricultura fechou convênios com várias cooperativas, sindicatos de trabalhadores rurais e com a Emater, para trabalharem na capacitação para o projeto.

O sucesso do programa também tem se refletido no setor de máquinas para irrigação. Além do sucesso da KF, com sua plantadeira microcamalhoneira, que, como já citado, está ampliando sua fábrica, a Fockink, que produz pivots, também tem destaque. “Está trabalhando em três turnos. Se tem cidade que está com pleno emprego no Rio Grande do Sul, é Panambi (sede da Fockink)”, afirma José Hermeto Hoffmann.

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  • zé bronquinha

    Os governos fazem mais isso, mais este, mais aquilo, tudo para agradar os reis do agronegócio.Verdadeiros donatários de Capitanias Hereditárias, muitas terras foram griladas ou eram devolutas, formando a riqueza destes. Produzem principalmente soja transgênica e eucalipto.Esses dois produtos não são comestíveis.O primeiro é exportado in natura, sem agregar valor, servindo para alimentar animais no exterior.O segundo ,serve para fabrico de celulose que igualmente vais pro exterior, ocupando terras férteis onde deveria ser plantados alimentos pro mundo. Comemorar o quê?Só se for o brutal enriquecimento dessa gente que emprega pouquíssima mão-de-obra, recebendo todos os benefícios governamentais, claro, esse por sua vez embolsa muitos impostos que servirão para construir monstros como Usina de Belo Monte, Panambí, Garabí e tantas outras que atentam contra a natureza e as populações originárias.E mais. Usam os recursos para obras faraônicas dos mega eventos , enchendo os bolsos das construtoras, principais financiadoras de campanhas eleitorais de políticos.