27/nov/2012, 11h19min

Ex-diretor do Daer afirma que Beto Albuquerque também fez viagem paga por empresa

thormann

Thormann: “O próprio Beto Albuquerque realizou juntamente comigo uma viagem técnica, igualmente com as despesas pagas por empresa privada” | Foto: Daer

Da Redação

O ex-diretor-geral do Departamento de Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) José Francisco Thormann, divulgou na noite desta segunda-feira (26) uma nota de esclarecimento sobre o seu pedido de demissão anunciado ontem. Thormann se antecipou a decisão sugerida pelo governador Tarso Genro (PT), que recomendou a exoneração do ex-secretário, após matéria veiculada no jornal Zero Hora, que o denuncia de realizar viagem à Suíça às custas de uma empresa subcontratada para obras na Rota do Sol e de obter procuração de amplos poderes para atuar em nome de uma consultoria privada.

Em coletiva de imprensa, o atual titular da Secretaria de Infraestrutura e Logística do Rio Grande do Sul (Seinfra-RS), Caleb de Oliveira, disse que os fatos apontados contra o diretor não têm relação com a saída de Beto Albuquerque. “Quando o deputado disse que não confiava nele (Thormann) era em função das dificuldades nas relações de trabalho e ritmo no andamento das questões da área”, afirmou. Em sua saída, na última quarta-feira (21), Beto Albuquerque disse que, ao deixar a pasta, algumas coisas iriam mudar.

Sobre a denúncia de ter feito viagem à Suíça às custas de uma empresa subcontratada, Thormann se defendeu: “Fui vítima de uma acusação vaga, cujo fato é simplesmente ter uma procuração com poderes. Ou seja, não sou acusado de um fato. Não sou funcionário desta empresa, nunca trabalhei para ela e nunca usei estes poderes. Nem nunca participei por ela de licitação e nem atuei em órgão público”, disse.

Ele relata ainda que Beto Albuquerque participou de viagem, por meio também de financiamento de empresa privada. “Ironicamente, foi o próprio secretário Beto Albuquerque quem me convidou para ingressar no governo. E mais irônico ainda, é que o próprio Beto Albuquerque realizou juntamente comigo uma viagem técnica, exatamente de igual natureza a da Suíça, onde fomos para os EUA, igualmente com as despesas pagas por empresa privada”, acrescentou.

Além disso, Thormann relata as suas realizações frente a pasta durante a sua gestão e irregularidades que haviam no DAER e que buscou sanar como empresas terceirizadas sem regularização, uso indevido de contratos, entre outras práticas indevidas.

Veja nota na íntegra:

Encontrei um DAER desestruturado, com funcionários desvalorizados, que recebiam imensas criticas e com vícios de procedimentos desvirtuados. Quando aceitei o cargo, minha determinação foi reestruturar o órgão, recuperar o seu conceito e restabelecer a moral e a autoestima dos colaboradores. No DAER, procurei aproximar o departamento dos órgãos de fiscalização de controle para dar a maior transparência possível. Promovi debates e um curso com o tribunal de contas, convocando a totalidade dos engenheiros para participar de um treinamento. Fiz também, um trabalho em conjunto, para promover a qualidade e a legalidade do serviço prestado com o TCE.

Procurei tratar de outro problema crônico no DAER que é a questão dos contratos remanescentes, ou seja, contratos para executar obras inacabadas. Assim, haviam contratos que acabavam se beneficiando de aditivos contratuais com mais 25% sobre o valor. E, não terminando a obra, se fazia nova licitação para cumprir o mesmo objeto. Existiam obras licitadas para dois anos, com 14 anos de andamento. Este fato, que deveria ser uma exceção, passou a ser a regra. Criando-se um costume, distante dos procedimentos. Inclusive, para esta problemática, solicitamos a ajuda do Ministério Público, do Ministério Público de Contas, TCE, PGE, por indicação do próprio Governador.

Encontrei, ainda, diversas empresas terceirizadas sem regularização. Além disso, existiam práticas, também distantes dos procedimentos normativos, onde eram usados contratos para um determinado fim, para cobrir trechos de estrada que não estavam cobertos neste contrato. Esta prática, dentro da instituição era conhecida como “química”. Durante a minha gestão acabei com estas práticas.

Durante a minha gestão no DAER, introduzimos o gerenciamento compartilhado, por meio da criação de uma “sala de gestão”, aos moldes da sala de gestão do Governador, inclusive introduzindo a documentação formal, por meio de atas e e-mails. O objetivo era alinhar e resolver os problemas em conjuntos com todos os envolvidos, como empresas, supervisoras, superintendentes, área de projeto, de obra, etc. Além disso, constituímos a Precursoria, onde criamos uma superintendência que analisa todos os pontos cruciais e logísticos de uma obra a ser recomeçada. Constituímos um chek-list com 14 pontos para conferencia, como decreto de utilidade pública, licença de meio ambiente, pedreira, projetos, etc.

Deixo contratada empresa que fará o levantamento do projeto CREMA – Contratos de Restauração e Manutenção – para a restauração e manutenção por cinco anos de 2500 km de obra. Fiz um mapa de todas as situações para o Governador, de todo o plano de investimento – que não era pouco – R$ 2,6 bilhões. Este mapa continha todas as informações necessárias para o entendimento gerencial. Criamos planilhas e cotas por empresas, para o bom planejamento e administração, e o atendimento do Plano de Obras, de acordo com a boa técnica de gestão. Deixo em licitação, contratos de apoio técnico que irão substituir com muita qualidade os contratos de supervisão.

Ironicamente, foi o próprio secretário Beto Albuquerque quem me convidou para ingressar no governo. E mais irônico ainda, é que o próprio Beto Albuquerque realizou juntamente comigo uma viagem técnica, exatamente de igual natureza a da Suíça, onde fomos para os EUA, igualmente com as despesas pagas por empresa privada.

Fui vítima de uma acusação vaga, cujo fato é simplesmente ter uma procuração com poderes. Ou seja, não sou acusado de um fato. Não sou funcionário desta empresa, nunca trabalhei para ela e nunca usei estes poderes. Nem nunca participei por ela de licitação e nem atuei em órgão público.

Gostaria de esclarecer que não sou apenas arquiteto, tenho especialização em engenharia de segurança e gerencia de cidades. Minha trajetória inclui 14 anos de experiência na prefeitura de Porto Alegre, onde participei da duplicação das principais avenidas da cidade e da construção da terceira perimetral. Estive também no DAER, na gestão Olívio Dutra, construindo os corredores de exportação.

Deixo o DAER com a sensação de dever cumprido e com a certeza de ter deixado funcionários públicos motivados e com elevada autoestima, além de ter resolvido e encaminhado diversos problemas e questões fundamentais para o bom desenvolvimento do órgão. Como profissional com perfil técnico, busquei realizar no DAER um trabalho estruturador.

Insinuações genéricas e vagas, feitas pelo secretário Beto Albuquerque ferem a minha dignidade pessoal e moral, fato pelo qual procurarei os caminhos judiciais adequados, já tendo constituído advogado.

José Francisco Thormann

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  • Felipe X

    Políticos fazendo viagens técnicas… é meu brasil sil sil mesmo haha

  • joao

    É prá pensar o que não fizeram durante o Governo de Dona YEDA!! Fora o que foi desviado do DETRAN !!

  • Zé Bronquinha

    A política de forma geral virou “possibilidades de negócios”.Entes públicos e privados articulam-se entre si para produzie e obter vantagens.Quem paga a conta é o povo que precisa de saúde e educação pública de qualidade.

  • Luciano

    PT é isso. Um vai para Cuba, fazer sei lá o quê. Provavelmente uma viagem ideológica financiada com recursos públicos, outros financiados por empresas privadas… Enquanto isso o piso do magistério ohhhhhhhhhhhhh

  • olavo

    Beto Albuquerque, como um bom oportunista, quis criar um clima para justificar a sua saída, ofereceu manchetes à RBS como se fosse o único político puro vivendo no planeta indignado com a ética alheia. Se fosse sério deveria vir a público explicar à sociedade os detalhes de sua viagem custeada por uma empresa e porque atacou Thormann por ter feito o que ele também fez.

  • Murilo/F

    Só veio ao conhecimento da imprensa e ao publico porque um manesinho viu,leu papeis em sima da mesa e decidiu colocar m… no ventilador e chamou o repórter, tenho uma bombinha.
    ————————————————
    Existem centenas talvez milhares de casos iguais e ou muito piores, só não vem a publico porque os que sabem levam algum para não dedar….
    ———————————————
    E assim caminha a sociedade de um pais da Oligarquia Capitalista Estatal….onde quem tem acesso ao poder mama nas tetas e não larga o osso.

  • Gilmar Souza

    Sou funcionário do DAER e conheço há muitos anos este órgão em diversas estâncias. Não sou filiado a nenhum partido, antes disso, sou funcionário do estado e trabalho para o Rio Grande do Sul, independentemente de qualquer partido que esteja no poder. Fato é que este diretor saiu por ter sido o melhor diretor que o DAER já teve. Levou os órgão de controle para dentro do DAER e o DAER para dentro dos órgãos de controle, TCE por exemplo. Os engenheiros do DAER estavam respaldados quando fiscalizavam uma obra, tinham autoridade para dizer o que estava errado e não assinavam medições que não estavam em conformidade com a obra. Em fim, a politicagem e parte da imprensa brasileira tendenciosa e corrupta, que já elegeu presidente e também derrubou, novamente, esta colocando as suas manguinhas de fora. Este cara saiu porque era bom, falo de cadeira. Algumas empreiteiras (quase todas “gatinhas”) estavam indignadas com o grau de controle sobre as obras, estavam querendo trabalhar em outros estados como afirmou o presidente do CICEPOT em palestra no laboratório do DAER neste ano. Que entre outro com o mesmo desejo de moralizar e de reestrutura o DAER, e que consiga, se deixarem né.

  • Gilmar Souza

    Em um programa, o ancora pergunta, deque serve o DAER?. Este homem no mínimo não sabe nada. Se olharmos o mapa das rodovias pavimentadas no Rio Grande do Sul, grande parte, inclusive as BR foram pavimentadas pelo DAER. Hoje o Rio Grande do Sul é o estado com o maio indice de estradas pavimentadas do país graças ao DAER seu jornalistasinho corrupto de merda. Deu pau no DAER como todos os funcionários fossem corruptos. Fique sabendo que entre os orçamentos da CORSAN, CEEE e DAER o menor é o do DAER, e olha o quanto custa manter uma estrada. Dos funcionários do estado o que menos ganha é o do DAER, vai perguntar o que ganha um engenheiro da CORSAN e da CEEE, ou quanto ganha qualquer outro funcionário destes ógãos em comparação ao DAER. Os funcionários às vezes, mesmo com o pouco que ganham, tiram dinheiro do próprio bolso para arrumar caminhões, máquinas etc… só para o serviço não parar. Há muito tempop querem acabar com o DAER, há quanto tempo não compram máquinas novas, as mais novas tem 30 anos. Quando alguém ver algum funcionário do DAER o cumprimente, porque este merece todo o respeito popr fazer milagres nas condições que trabalha e que ganha, e dúvido outro órgão que um funcionário vista mais a camiseta que o funcionário do DAER. Depois vem esses caras perguntar do que serve o DEAR?

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