16/fev/2017, 7h30min

É pacote de maldades sim senhor! 

Por Sergio Araujo

Dia desses, num debate numa rádio de Porto Alegre, fui criticado por um dos participantes por ter usado a expressão pacote de maldades para identificar os projetos de leis encaminhados pelo governador José Ivo Sartori à Assembleia Legislativa. Segundo ele, trata-se de uma demonstração de má vontade e até uma injustiça para com o esforço governamental para recuperar as finanças do Estado. Como o programa permitia interação com os ouvintes, não tardou chegar mensagens dizendo que eu estava com a razão. “São servidores públicos”, disse meu crítico. E tu é governista, respondi. Como ambos somos jornalistas de opinião ficou o dito pelo não dito e o debate e a vida seguiram em frente.

Mas uma coisa ficou me incomodando. Como alguém culto e bem informado pode utilizar com tanta fidelidade os argumentos expostos pelo Palácio Piratini? E pelos alarmistas do caos? Será mesmo que ele engoliu a isca sem sequer mastigar? O que pensar então do cidadão, que preocupado com suas dificuldades cotidianas e sem tempo para se informar adequadamente, é diariamente bombardeado pela mídia com a tese de que a solução para as suas históricas mazelas é realmente a implantação do Estado mínimo, como afirmam os governistas e os seus apoiadores liberais?

Aliás, faz dois anos que o governo, indevida, descarada e hipocritamente, vem usando os gaúchos para aplicar sua estratégia recessiva e predatória do caos das finanças. Para tanto, abusa da máxima de que está pensando e atuando no atendimento dos anseios da maioria da população e não no interesse de uma minoria, no caso os servidores públicos. De que servidor público o governo se refere? Dos professores e policiais que recebem salários miseráveis e atuam em ambientes insalubres e inseguros, ou daqueles que possuem altos rendimentos e que frequentam salões atapetados e refrigerados, como os dos poderes Legislativo e Judiciário, que não foram atingidos pelo parcelamento dos seus vencimentos e nem pela perda de privilégios remuneratórios?

A quem o governo do Estado pensa que engana? Se o povo é tão importante como afirmam, por que então encaminhar um projeto que retira a obrigatoriedade de plebiscito para a venda de estatais? Por quê, em parceria com a Assembleia Legislativa, restringe o acesso às dependências da casa do Povo nos dias de votações polêmicas? Por quê elaborou os projetos do seu programa de ajuste fiscal sem consultar os diversos segmentos da sociedade civil organizada?

Convencido da sua autoridade ditatorial, o governador Sartori acaba de renovar os decretos que mantem o congelamento dos salários dos servidores estaduais, suspende a nomeação de concursados e a promoção dos servidores de carreira, e outras medidas mais. Ou seja, apesar dos sintomas de melhora, mantem o paciente sedado e inconsciente. Afinal, é preciso reforçar a lógica de que o Rio Grande continua devastado e que, portanto, é preciso dar continuidade às “ações saneadoras”. Agora com o apoio do companheiro Michel Temer.  É tudo o que os deputados governistas precisam para calcar, sem remorso, seus dedos na tecla SIM do painel de votação.

Sabem o que isso representa? Mais sofrimento para os já vilipendiados servidores públicos e a venda de um patrimônio que gera recursos para que o próprio Estado, como é o caso da CEEE e da Sulgás. Tudo muito incompreensível. Tudo muito duvidoso. Tudo muito desumano. Mas muito útil para encobrir a incapacidade de gestão dos atuais mandatário do Rio Grande.  É por isso que não arredo um centímetro qualquer da minha posição de que as medidas ditas bem intencionadas do atual governo nada mais são do que um pacote de maldades. Fosse um governo realmente voltado aos interesses da população daria mais importância ao resultado das pesquisas de opinião. Por falar nisso, não acham estranho que elas tenham deixado de ser realizadas e/ou publicadas?

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Sergio Araujo é jornalista e publicitário.



 

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