rss

Colunas

A Guerra do Futebol

Maurício Brum Nos anos 60 do século passado, El Salvador e Honduras, dois países limítrofes quase no meio da América Central, tiveram de arcar com as consequências de um impasse que até ali vinha sendo empurrado com a barriga. Os salvadorenhos tinham então o dobro da população dos vizinhos –numa área equivalente a apenas um […]

Um pênalti na vida de Roberto Bolaño

Não foi em um grande salão de biblioteca ou em uma organizada mesa de um apartamento espanhol que o escritor chileno Roberto Bolaño deu forma às suas muitas histórias. Ou ao menos não na maior parte das vezes. Hoje um fenômeno (póstumo) de crítica e venda na Europa e nos Estados Unidos, e com nove livros já publicados no Brasil, durante enorme parte de sua vida Bolaño foi um andarilho com pouco dinheiro no bolso. Esteve entre o Chile e o México, país no qual passou a juventude, mas viajou para Barcelona ainda nos anos 1970. Só pôde publicar os primeiros livros nas proximidades dos seus quarenta anos – não que antes não escrevesse. Escreveu nas muitas noites em que passou em certo camping catalão e após passar a tarde vendendo bijuterias em solo europeu. Dizem que trabalhou também como lixeiro e lavador de pratos e que, mesmo com o filho pequeno nos joelhos, jamais deixou de escrever.

O pênalti que Bebeto não bateu e o paradoxo de Djukic

Os jogadores de ambas as equipes, o público, até mesmo os policiais e os fotógrafos, que até esse instante se amontoavam às centenas atrás do gol, haviam desaparecido. No estádio de Riazor – e no mundo – só estavam ele, o goleiro e o árbitro. Djukic começou a correr, sem saber ainda como bater o […]

Suicídios de Quiroga

Iuri Müller O escritor uruguaio Horacio Quiroga tinha exatos quarenta anos quando, em 1918, escreveu o que para alguns críticos foi o primeiro conto de futebol do continente. O relato intitulado Juan Polti, half-back foi publicado pela Revista Atlántida, de Buenos Aires, onde o contista já vivia, em maio daquele ano. O Juan Polti de […]

Os diários de Adolfo Bioy Casares

Amigo íntimo e colaborador de Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares costumava sofrer com críticos desdenhosos que invariavelmente o colocavam numa condição de aprendiz.

Mario Arregui & Sergio Faraco: correspondência

“Tua última carta é fantástica: primeiro, propões um fiscal uruguaio para revisar minhas traduções, depois me promoves a teu representante bovino no Brasil. Se eu não tivesse um acentuado senso de humor, por certo te daria umas guampadas…” A resposta de Sergio Faraco a Mario Arregui mostra como evoluía a amizade entre o contista brasileiro e o contista uruguaio, mesmo após poucas semanas de contato. O humor se relaciona com dois pedidos curiosos de Arregui, morador da pequena Trinidad, cidade do interior do Uruguai – primeiro, sugeria a Faraco, que desde a primeira missiva se candidatava a traduzir os seus contos no Brasil, a ajuda de um revisor uruguaio no processo; depois explanava sobre a dureza da sua situação econômica e perguntava se o gaúcho não sabia de interessados no seu plantel de vacas holandesas.

O menino no espelho e o homem sem imagem

Fernando entrou em campo aos quarenta minutos do segundo tempo. Metido numa camisa do América de Belo Horizonte, surgiu como reserva inesperado na final do Campeonato Mineiro, contra o Atlético.

a máquina de fazer espanhóis

A primeira coisa a ser dita sobre valter hugo mãe é que escreve em minúsculas e que as menções aos trechos dos seus livros, portanto, não conservam qualquer erro de digitação. Trata-se de uma forma encontrada pelo escritor angolano para acelerar a leitura. valter lançou na última Festa Literária Internacional de Parati, a Flip, o seu segundo romance publicado no Brasil, a máquina de fazer espanhóis. Mais do que isso, protagonizou, possivelmente, um dos momentos mais emocionantes do evento. Após a sua palestra, o escritor leu uma carta em que descrevia a sua relação com o Brasil. Escreveu que os brasileiros que conheceu na infância transformaram a vila onde morava. Que um amigo brasileiro ensinou-o a perder parte da vergonha, porque os portugueses sempre foram meio envergonhados. Que o fato de vir ao Brasil como escritor, publicado e recebido, fazia dele um homem de ouro. Deixou Parati com lágrimas nos olhos – nos seus e nos da plateia.

O ano inacabado de Metodio Severino

Aqueles doze meses haviam sido tão plenos para Metodio Severino Morales que, em 31 de dezembro, ele desejou que no dia seguinte o mesmo ano começasse de novo. Ao longo das últimas quatro estações, Metodio havia concluído os estudos, viajado para fora do país pela primeira vez e conhecido sua futura esposa. Mas certamente o que mais marcou foi ver seu time campeão argentino. Seu Huracán finalizou uma seca de quarenta e cinco anos ao erguer a taça em meados de setembro. Quando a meia-noite anunciou a entrada de 1974 pelo tilintar das taças de espumante em Buenos Aires, Metodio estava decidido a viver em 73 até sua equipe dar uma volta olímpica outra vez.

Meia encarnada, dura de sangue

Um conto sobre o Bra-Pel, o negro no futebol gaúcho e um retrato do esporte no primeiro contato com o profissionalismo; ou apenas uma antiga história ouvida, ainda bruta, da boca do avô e que foi trabalhada para passar à literatura.