10/jan/2017, 0h30min

Brasil mínimo (por Emir Sader)

Foto: Lula Marques/Agência PT

Bastaram poucos meses para que ficasse claro para todos a que veio o governo do golpe. Nada a ver com o fim da corrupção, porque é o governo mais corrupto da história brasileira. Nada a ver com unificação do pais, porque o pais está unificado contra esse governo. Nada a ver com recuperação da confiança, porque ninguém confia nesse governo. Nada a ver com resgate do crescimento econômico, porque o país foi jogado da maior depressão econômica da sua história.

Bastaram poucos meses para que o pais ficasse reduzido à sua mínima expressão. Estado mínimo, com o desmonte do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, dos Correios, da Petrobras, do Bndes, desmonte das politicas sociais, desmonte dos direitos dos trabalhadores, desmonte do nível de emprego, do poder aquisitivo dos salários, desmonte da dignidade e da soberania na politica externa. Enfim, desmonte do Estado, que significa desmonte da sociedade organizada, ao lado da monstruosa promoção da centralidade do mercado.

O argumento se choca com a realidade. Com mais Estado, a economia brasileira cresceu. Com menos, entrou em recessão, no passado e no presente. Porque menos Estado é mais mercado e o mercado é controlado pelo capital especulativo, o que significa mais recessão e nenhum impulso ao crescimento econômico.

Porque menos Estado é mais concentração de renda e a distribuição de renda foi fator fundamental no crescimento econômico brasileiro neste século. Porque menos Estado significa menos credito, menos bancos públicos, taxas de juros mais altas, portanto, menos alavanca para o crescimento econômico.

Menos Estado é menos patrimônio publico e mais patrimônio privado, que funciona conforme os interesses privados, como é o caso claro da dilapidação do patrimônio púbico em mãos da Petrobras. Se investe menos, ha menos retorno, mais desemprego e menos produção.

Menos Estado representa menos garantia dos direitos das pessoas. Menos Estado significa menos recursos para as politicas sociais, politicas que explicam o enorme sucesso dos governos do PT e o prestigio do Lula. Menos Estado quer dizer menos proteção dos direitos dos trabalhadores, mais desemprego, mais trabalhadores sem carteira assinada.

Menos Estado significa a dominação da mentalidade do mercado contra os direitos das pessoas. Significa consolidar a hegemonia do capital financeiro e, portanto, nada de retomada do crescimento, ao contrario, mais recessão e desemprego.

Menos Estado se traduz na desaparição do Brasil do cenário internacional, voltando a ser intranscedente aliado subordinado dos EUA. Significa não se alinhar com os Brics e deixar de promover a integração regional e a diversificação das relações do pais no mundo.

Estado mínimo significa direitos mínimos, significa injustiças máximas, corrupção máxima, entreguismo total, anulação da democracia.

Quem precisa do Estado é quem é desprotegido pelo mercado. Os ricos querem o Estado mínimo e o mercado máximo. O povo precisa do Estado para garantir seus direitos, a distribuição de renda, os direitos dos trabalhadores, a proteção dos mais fragilizados. O Estado é quem promove a inclusão social, o mercado exclui. O Estado generaliza a cidadania, ao mercado so interessam os consumidores.

O Brasil não cabe no Estado mínimo, nas dimensões do mercado a que o governo golpista quer encaixar o pais. Ja conhecemos o potencial do Brasil, sabemos que podemos crescer e distribuir renda, que podemos nos orgulhar e não nos envergonharmos do nosso pais.

O Brasil está sendo reduzido às suas proporções mínimas para o seu povo, para a democracia, para que o mercado máximo garanta os lucros dos especuladores, o aumento da desigualdade social. Só um Estado governado por quem o povo decida, pode fazer com que a dignidade, a justiça, a soberania, os direitos, prevaleçam.

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Emir Sader é sociólogo e cientista político.

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