22/dez/2014, 18h55min

Aliados de Sartori aprovam extinção da Secretaria de Políticas para Mulheres

Foto: Filipe Castilhos/Sul21

Mulheres lotaram as galerias do plenário da Assembleia Legislativa para lutar contra a extinção da Secretaria de Políticas para as Mulheres | Foto: Filipe Castilhos/Sul21

Samir Oliveira

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou na tarde desta segunda-feira (22) o projeto de lei que modifica a estrutura administrativa do Poder Executivo. Enviada a pedido do governador eleito José Ivo Sartori (PMDB), a proposta reduz de 27 para 19 o número de secretarias, promovendo fusões, novas nomenclaturas e extinções de pastas. O projeto foi aprovado por 29 votos favoráveis e 14 contrários. Somente as bancadas do PT e do PCdoB se posicionaram contra a medida.

Com a aprovação do texto, fica extinguida a Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), criada pelo governo de Tarso Genro (PT). Esse foi um dos pontos mais controversos da reforma administrativa promovida por Sartori.

– Veja aqui a carta aberta dos movimentos feministas contra a extinção da SPM

Movimentos feministas lotaram as galerias da Assembleia na tentativa de convencer os deputados a não acabarem com a Secretaria de Políticas para Mulheres. Ao longo dos quatro anos de operação, o órgão articulou políticas públicas que resultaram na redução, em 32%, do número de feminicídios no estado, na qualificação profissional de mulheres e na organização das patrulhas para cumprimento da Lei Maria da Penha.

Foto: Filipe Castilhos/Sul21

Manifestantes chamaram deputados de “machistas”, “covardes” e “canalhas” | Foto: Filipe Castilhos/Sul21

Durante a sessão, os deputados da base aliada de Sartori evitaram se manifestar em defesa do projeto de reestruturação administrativa. Nenhum parlamentar do PMDB subiu à tribuna. A bancada do partido não contou com a presença de três deputados que estarão presentes na gestão de Sartori: Giovani Feltes (futuro secretário da Fazenda), Márcio Biolchi (novo secretário da Casa Civil) e Maria Helena Sartori  (próxima primeira-dama).

Já os parlamentares do PT e do PCdoB se revezaram diversas vezes na tribuna para criticar o projeto de reforma administrativa do novo governo. “O fenômeno sociológico e cultural da desigualdade de gênero mata”, disse a deputada Miriam Marroni (PT).

Para Raul Carrion (PCdoB), “não se trata de uma mudança administrativa, mas de um golpe contra as políticas para mulheres”. Nelsinho Metalúrgico (PT) qualificou o fim da SPM como “uma vitória dos machistas, dos sexistas, dos racistas e dos homofóbicos”.

Foto: Filipe Castilhos/Sul21

Mesmo com forte pressão das mulheres, maioria aliada a Sartori aprovou a reforma administrativa que extingue a SPM | Foto: Filipe Castilhos/Sul21

Um dos pronunciamentos mais emocionados foi o da deputada Ana Affonso (PT). “Acabar com a SPM significa nos retirar poder político. Reduzimos os feminicídios, mulheres deixaram de morrer, isso não tem preço. Machistas não passarão!”, concluiu. Em seguida, as mulheres que lotavam o plenário repetiram o grito em coro: “Não passarão! Não passarão! Não passarão!”.

O deputado Jorge Pozzobom (PSDB) foi um dos mais vaiados pelas feministas. Ele disse que o atual governo tem responsabilidade em relação à violência cometida contra as mulheres, pois, na sua visão, “é um problema de segurança pública”. A afirmação foi seguida de uma imensa vaia das galerias: “É um problema social”, rebateram as mulheres.

As críticas foram ainda maiores quando o tucano disse que somente apoiaria a permanência da SPM se os demais parlamentares exigissem proteção à Vanina Velosa da Fonseca – a funcionária da Petrobras que denunciou casos de corrupção na estatal. Pozzobom foi xingado de “canalha” e “chantagista” pelas manifestantes.

Por Filipe Castilhos/Sul21

Manifestantes ficaram de costas para o deputado Mano Changes (PP), que disse que elas “não representam a maioria das mulheres” | Filipe Castilhos/Sul21

Outro deputado bastante vaiado pelas feministas foi Mano Changes (PP). Ele disse que nem as manifestantes nem os parlamentares têm autoridade para modificar a estrutura de governo proposta por José Ivo Sartori. “Não cabe a mim e a nenhuma pessoa que está aqui dizer o que o futuro governador tem que fazer”, opinou.

O progressista também disse que as manifestantes presentes na galeria “não representam a maioria das mulheres do Rio Grande do Sul”. O deputado, que é músico, respondeu aos gritos de “machista!” com uma batida vocal. Diante das vaias, Paulo Odone (PPS), que presidia a sessão naquele momento, ameaçou retirar à força as manifestantes do plenário.

Após o pronunciamento de Mano Changes, uma mulher exibiu um cartaz direcionado ao deputado: “Obrigado, homem, por nos dizer o que fazer”. Outra faixa confeccionada pelo grupo criticava a redução da máquina estadual a partir do pretexto de redução de custos: “Essa falsa economia custa vidas”, dizia o cartaz.

Por Filipe Castilhos/Sul21

Após o final da sessão, algumas manifestantes retiraram as blusas em protesto contra a decisão dos deputados | Filipe Castilhos/Sul21

Os gritos mais entoados pelas mulheres eram: “Se cuida! Se cuida seu machista! A América Latina vai ser toda feminista!” e “A nossa luta! É todo dia! Contra o machismo, o racismo e a homofobia!”.

Ao longo da sessão, os parlamentares do PT e do PCdoB tentaram aprovar emendas que asseguravam a permanência da Secretaria de Políticas para as Mulheres, mas foram derrotados pelos aliados de Sartori. Pelo projeto aprovado, fica estabelecida a extinção da SPM e a “incorporação de sua estrutura, acervo, documentação, contratos, convênios, outras avenças e obrigações pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos”.

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  • Pingback: Primeiro projeto de Sartori gera tumulto na Assembleia do RS | CEDAW – Ação Permanente()

  • São muitos aspectos a serem considerados nesta derrota, que espero passageira. Um deles é não presença da Senhora deputada,esposa do futuro governador. É uma prova de que o machismo, o patriarcado, estão fortemente presentes em nosso meio. A Senhora Maria Helena perdeu uma grande oportunidade de demarcar posição em relação aos avanços conquistados pela Secretaria das Mulheres. Preferiu ficar na posição submissa de “Primeira Dama”.

  • Thiago Nascimento

    Mas essa senhora, a primeira dama!, garanto a você que ela está de acordo com tudo isso que foi imposto; afinal de contas, ela vai mamar e muito, ao longo desses anos de governo.

  • No mínimo é um retrocesso. Para não dizer que é burrice. Aliás, é muita burrice. Esse machismo que impera no RS é vergonhoso, querem nos tirar o direito de lutar e de ter voz contra os nossos agressores. Será que o sr. Sartori não tem acesso aos números crescentes de mulheres que são assassinadas, abusadas e vivem em situação de violência contínua no estado? O que mais revolta é essa ignorância política, nenhum zelo por nós, que os parimos, que somos suas parceiras, irmãs, mães, avós, amigas, etc… Falo por experiência própria: Já fui agredida e ao procurar ajuda o que ouvimos é que gostamos de apanhar, que somos sem vergonhas e fora o deboche. De fato, é difícil ser mulher no RS, por sabermos que o primeiro tiro, agressão, vem de cima, do governo do estado. Dos seus aliados que se importam muito,muito mesmo é com seus bolsos, não conseguem imaginar que suas mulheres,(de suas famílias) não estão livres de serem vítmas da própria intolerância deles. Nesse momento me sinto profundamente desapontada com a extinção da SPM, querem nos tirar a voz, nossa proteção. Nós somos discriminadas por sermos mulheres. E sim, deputados, a minoria de mulheres que estava lá, nos representa. “Não passarão! Não passarão!”
    FORA SARTORi!

  • Pingback: SPM DO RS EXTINTA, SINAIS DE QUE HÁ ESPERANÇA | Pensa(Man)tos()

  • Espero que esta seja a primeira de muitas outras ocorrências similares, pois já passou da hora de dar um basta nessa hipocrisia vitimista que não satisfeita em receber verbas milionárias de Elites Norte Americanas, ainda se arvora no direito de consumir nosso dinheiro público para fraudar pesquisas, estatísticas e fomentar políticas sexistas nocivas mal disfarçadas de igualdade, com base em sua delirante teoria de “Gênero Socialmente Construído por um Patriarcado Opressor de Mulheres e Privilegiador de Homens”.

    As manifestantes estão antenadas com a farsa da vez, a subversão grosseira da realidade do conceito de Feminicídio (Explicado em http://br.avoiceformen.com/cultura-misandrica/o-feminicidio-e-um-ratiocidio/), e como sempre sequer são capazes de inventar suas próprias mentiras, repetindo fielmente o que as lideranças estrangeiras lhes ordenam. Lideranças estas que sabem muito bem que tais medidas, que vem sendo tomadas há meio século em metade do mundo, são completamente incapazes de atingir os objetivos que fingem ter, reduzir os crimes apontados, no máximo parasitando, e atrapalhando, políticas de segurança pública verdadeiramente eficientes, que se baseiam em fundamentos por completo diferentes, se não opostos, aos do Feminismo de Segunda Onda.

    Tais medidas, por outro lado, são perfeitamente eficazes para realizar os verdadeiros objetivos, solenemente declarados na época em tal Feminismo era ao menos mais honesto: Destruir as relações familiares e promover a Guerra dos Sexos, o único caminho para a derrubada do Patriarcado.

    Muita bem vinda a extinção deste órgão deletério e que sirva de exemplo para o resto do país. Talvez o Backlash cultural ainda tenha tempo de evitar que essa ideologia insana corrompa ainda mais nossa civilização, como já o fez de forma aparentemente irreversível com as tais manifestantes incapazes de expressar um único pensamento original e reduzidas a meras repetidoras de ideias que elas próprias sequer compreendem.

    Mas pelo menos num ponto elas tem razão. “Machistas” realmente “Não Passarão!” E também Não Lavarão, Não Varrerão nem Cozinharão!

  • Fernando Cavalcanti

    De bojo não vale, né…

  • gesse

    Parabens por acabar com a mamata dos militantes

  • Leo Jandre

    A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos absorverá as responsabilidades da extinta.
    De qq forma, elegeram um governador para que esse governasse.
    E para tanto, ele tem poder e direito para reestruturar o organograma do governo de acordo com sua visão administrativa. Até as próximas eleições.
    E não admira que isso tenha acontecido aí no Rio Grande do Sul.
    As copiosas carpideiras, viúvas das mamatas das administrações anteriores não deviam tirar só as blusas.
    Aqui no Rio de Janeiro quando mulheres feministas de verdade protestam, tiram as blusas e os sutiãs!
    Aqui é que existem feministas de peito pra lutar pelas suas causas!

  • Guest

    Depois da copa teve tanto gaucho sendo humilhado e levando corno que até a visão politica da gauchada mudou.

    Ninguem quer ser humilhado!!!!!

    rsrsrs

  • Labarra

    Graças a Deus, menos uma secretaria inútil a todos que não têm ambição de conseguir uma vaguinha lá, através dos “companheiros” articuladores dessas ongs “sem fins lucrativos”.