24/jan/2014, 8h42min

Abastecimento de água: Corsan vai investir R$ 500 milhões até 2017

HD_CORSAN - ETA - Lajeado (1)

Dos 320 municípios atendidos pela Corsan, 170 são deficitários | Foto: Divulgação

Lorena Paim

Criada há 48 anos, a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) abastece de água 320 dos 497 municípios gaúchos, ou quase dois terços do total, atendendo 6,6 milhões de habitantes ou 55% da população. Esses números robustos dão à empresa do governo do Estado a primazia no setor, mas recentemente novos atores entraram em cena – empresas da iniciativa privada – levando à necessidade de se refletir sobre as adequações de cada modelo.

O presidente da Corsan, Tarcísio Zimmermann, diz que nos últimos cinco anos aumentou o número de cidades atendidas pela companhia, mas locais importantes, como Uruguaiana e São Gabriel, saíram do sistema, passando para empresas privadas. Zimmermann ressalta que as empresas da iniciativa privada só querem atender as cidades de médio a grande porte. As de pequeno porte são deficitárias e ficam com a Corsan, que cumpre o seu papel social. Ele afirma que até 2017, a Companhia deverá investir R$ 500 milhões na melhoria do abastecimento de água.

Na cidade da fronteira com a Argentina, a empresa Foz, pertencente ao grupo Odebrecht Ambiental, que assumiu em 2011, informa ter passado de 89% para 97,8% o percentual de uruguaianenses servidos com água tratada, ou seja, um universo de 10 mil moradores a mais. “Foram investimentos que ultrapassaram R$ 13 milhões só em abastecimento de água; realizamos mais de 8 mil metros de ampliação de redes de água e melhoramos o sistema de abastecimento com novos registros, conexões e bombas”, afirma a empresa Foz, em nota por e-mail.

As diferentes formas de gestão não impediram que, no final de 2013, diversos municípios sofressem com a falta de água, em razão das temperaturas muito altas, o que puxou fortemente o consumo. O apagão atingiu, indistintamente, cidades da Corsan, de empresas municipais ou da iniciativa privada. Uruguaiana foi uma delas. “O que acontece em bairros que ainda não receberam os investimentos é a baixa pressão de água. Algumas redes têm mais de 40 anos na cidade e estão propensas a obstrução, ocasionando esta baixa de pressão”, informa a Foz.

Em Pelotas, atendida pelo Sanep – Serviço Autônomo de Saneamento, autarquia municipal, igualmente as torneiras permaneceram secas, no final do ano, especialmente na praia do Laranjal, o que foi atribuído à falta de energia, a qual afetou uma estação de tratamento de água. Santana do Livramento, onde raramente ocorrem problemas desse tipo, também enfrentou falta de água, precisando recorrer a caminhões-tanque chamados pelo DAE- Departamento de Água e Esgoto. A justificativa foi a redução dos níveis do lençol freático, baixando, em consequência, a capacidade dos reservatórios. Curiosamente, um caminhão-pipa foi emprestado de Bagé (lá o serviço é municipalizado), onde historicamente falta água e há racionamento, mas que neste verão escapou dos problemas, pois o índice de chuva tem sido satisfatório. Bagé, a propósito, só se livrará do fantasma do desabastecimento com a construção da barragem de Arvorezinha, que atualmente está parada.

Cenário desafiador

Mesmo com a concorrência de empresas privadas e municipais, a Corsan registra crescimento anual de 5% de novas ligações – atualmente são 2,45 milhões de economias ligadas ao sistema, informa o presidente Tarcísio Zimmermann. “É um número desafiador. Não é fácil prover todos os anos o abastecimento com um crescimento desta proporção, que exige grande esforço de planejamento e investimento. Operamos 130 mil quilômetros de rede de água, e sempre pode haver algum problema técnico que atrapalhe o abastecimento”, acrescenta.

Tarcísio Zimmermmann: 2,45 milhões de economias estão ligadas ao sistema de abastecimento de água da Corsan | Foto: Alina Souza / especial Palácio Piratini

Tarcísio Zimmermmann: 2,45 milhões de economias ligadas ao sistema de abastecimento de água da Corsan | Foto: Alina Souza / especial Palácio Piratini

Mesmo considerando o Rio Grande do Sul o estado com o maior volume de recursos hídricos, Zimmermann comenta que há pontos críticos. Um deles é a existência de inúmeros loteamentos irregulares, principalmente nas grandes cidades, onde não há redes de água ou elas são clandestinas. “São os primeiros lugares onde falta água e onde ela demora a voltar”, diz. Há cidades da Região Metropolitana onde Corsan consegue cobrar 40% da água que produz, “o resto é clandestino ou perdido”.

E, mesmo com o manancial farto, em rios e lagoas, a distribuição no Estado “não é muito justa”, diz Zimmermann, o que acarreta problemas de captação nas regiões do Planalto Central, Campanha e Noroeste. “Mas a maior dificuldade ocorre na Região Metropolitana, no Rio dos Sinos e no Gravataí, muito poluídos e com regimes instáveis, o que eleva o custo do abastecimento e afeta a qualidade da água, a qual precisa de muito tratamento para se tornar potável”.

Nesta segunda-feira (20), a Corsan inaugurou uma nova adutora de água bruta em Gravataí. O investimento da Companhia, com recursos próprios, foi de R$ 1,8 milhão, elevando a produção de água para 645 litros por segundo. Segundo Zimmermann, esta obra torna menor o risco de falta de água. “A nova adutora – disse ele na inauguração – integra um conjunto de ações que a Corsan está fazendo para melhorar o sistema de abastecimento de Gravataí”. E assegurou: “em março, com a instalação de novos equipamentos eletromecânicos, a produção de água saltará para 700 litros por segundo”.

Gravataí ganhou uma nova adutora de água bruta, o que facilitará o abastecimento da população | Foto: Divulgação / Palácio Piratini

Gravataí ganhou uma nova adutora de água bruta, o que facilitará o abastecimento da população | Foto: Divulgação / Palácio Piratini

Gravataí também deverá ganhar uma nova adutora de água tratada, que beneficiará mais de cinco mil economias de bairros próximo ao Complexo Industrial Automotivo da General Motors e a própria GM.

Quem paga a conta

Das 320 cidades que atende, a Corsan obtém resultado operacional positivo em apenas 45; do total, 170 cidades são deficitárias. “Essas são mantidas porque a empresa é pública”, esclarece Zimmermann, acrescentando que os municípios com maiores receitas acabam sustentando os pequenos. Segundo ele, grandes empresas públicas de saneamento do país, como a Sabesp, de São Paulo, abastecem também a capital e a região metropolitana, e por isso têm um ganho de escala grande. Isso não acontece no Rio Grande do Sul, onde o abastecimento de Porto Alegre é municipalizado (pelo DMAE).

“As empresas privadas só querem cidades de porte médio, que dão lucro; se a Corsan perder essas cidades, como vamos sustentar pequenas?”, questiona Zimmermann, dizendo que a situação “inspira cuidados, mas não é de risco”. Outra conta que deve ser fechada, segundo ele, é a indenização a ser paga à Corsan nos locais onde a gestão foi municipalizada ou privatizada, por conta dos investimentos (equipamentos, prédios etc) que a empresa pública tinha nessas cidades.

O investimento na ampliação da rede de esgoto do estado será de R$3,9 bilhões | Foto: Divulgação

O investimento na ampliação da rede de esgoto do estado será de R$3,9 bilhões | Foto: Divulgação

Até 2017, a Corsan deverá investir R$ 500 milhões para melhorar abastecimento de água no Estado, especialmente na Região Metropolitana. As verbas vêm do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e já estão garantidas. São recursos históricos, especialmente o montante de R$3,9 bilhões serão destinados a ampliar a rede de esgotos de 15% para 37% no Estado. Quanto aos modelos de gestão futuros, Zimmermann afirma: “é muito recente a presença da iniciativa privada, exemplos de Uruguaiana e São Gabriel, e por isso não se pode dizer como vai repercutir. No mundo, a França privatizou e depois reestatizou a água, por achar que aquele modelo não tinha dado resultado. Nosso entendimento é de que a água é um bem público e a Corsan, uma empresa com visão social”.

[wp_bannerize group=”noticia_rodape_meio_ambiente_novo” no_html_wrap=”1″ limit=”1″]

Tags: , , , , , , , , , , , , ,



 

Cupons de desconto: Submarino , Walmart , Lojas Colombo, Ponto Frio, Ricardo Eletro, Casas Bahia, Americanas, Extra, Netshoes, Azul.


 

 
  • Ferreira

    Como era melhor quando existia jornalismo.
    Quando um repórter verificava no lugar a situação real do assunto em questão. Hoje os textos são cheio de “aspas” e citações como: “afirmam”; “disse”; “conforme”. Um show de declarações de terceiros interessados em defender seus negócios.
    Se o lobby privado se estabeleceu na fronteira do estado graças aos políticos locais, não seria obvio perguntar para a população se o serviço melhorou? e a tarifa?
    O problema de abastecimento da região do Gravataí. por exemplo, é muito mais grave do que a falta d’água para a população da região. Acabaram com o grande regulador do nível das águas do rio, o banhado, que exercia o papel de esponja regulando a vazão no inverno evitando as enchentes e no verão garantindo o fluxo mínimo do rio, graças a especulação imobiliária/industrial e as barragens das lavouras de arroz. Será que não existe mais espaço para uma matéria séria minimamente completa ???? ou os “intéresses” não permitem. Tenho certeza que competência jornalística existe para tanto, só não entendo porque ficam com essas postagens tipo release.
    repetindo sempre as mesmas baboseiras.

  • Guilherme

    O abastecimento de água é praticamente universalizado no Rio Grande do Sul. A cobertura de esgoto é baixa, mas não tanto quanto a mídia informa: o estado possui, complementarmente às redes coletoras (que crescem a olhos vistos) uma enorme cobertura de métodos intermediários de tratamento, inclusive (e sobretudo) as tradicionais fossas sépticas, cujo conteúdo acaba sendo destinado às estações de tratamento de efluentes da própria CORSAN. Mas voltando ao assunto das redes coletoras… enquanto os usuários não tomarem a iniciativa de se ligar aos sistemas coletores de esgoto, não há nada que a CORSAN, o DMAE, ou qualquer outra instituição do ramo do saneamento – pública ou privada – possa fazer para universalizar o tratamento dos efluentes da maneira mais abrangente e ambientalmente correta. A menos que haja articulação com o Ministério Público, Vigilância Sanitária, etc. O apoio da mídia neste esclarecimento também não seria demais.

  • rafael

    blá blá blá… fiquei sem água em Viamão por VÁRIAS vezes por VÁRIAS horas nesse calor infernal que tem feito. São uns incompetentes e ponto.