Editorial
Telefonia móvel: oligopólio e desrespeito ao consumidor
Tem todo sentido a proibição da venda de novas linhas de telefonia móvel em Porto Alegre, conforme determinado pela Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) da capital gaúcha. A reversão judicial da medida, se obtida pelas empresas, ainda que possa ter respaldo jurídico, trará benefícios unicamente para as próprias empresas e prolongará a superação dos transtornos enfrentados pelos usuários.
Na verdade, a determinação de proibição da venda de novas linhas de telefones móveis deveria se estender a todo o Rio Grande do Sul e a todo o país. Recordistas de reclamações nos Procons de todo o Brasil, as empresas telefônicas tratam com desprezo os usuários de seus serviços. Cobram a segunda mais alta tarifa telefônica do mundo, segundo levantamento realizado pela consultoria europeia Bernstein Research, divulgado no final de junho/2012. Cobram serviços não prestados e/ou não solicitados por seus clientes, prometem maravilhas, mas entregam um produto falho e que, muitas vezes e em muitos locais, sequer funciona.
Não se sustenta a justificativa apresentada pelas empresas de telefonia móvel de que a legislação municipal de Porto Alegre impõe tantas restrições e exigências que as impede de instalar novas antenas de transmissão de seus sinais. Fosse este o impedimento real, os sinais telefônicos móveis seriam de ótima qualidade em todos os demais municípios do Rio Grande do Sul e em todas as demais regiões do Brasil o que, como todos os usuários sabem, não ocorre em parte alguma.
A introdução das tecnologias de telefonia móvel revolucionaram as comunicações, tornando-as mais ágeis, e possibilitaram que a maioria da população pudesse utilizar os seus serviços. Em fevereiro deste ano o Brasil atingiu a marca de 247,2 milhões de linhas telefônicas móveis ativas, de acordo com dados divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o que implica que existem mais telefones celulares ativos que habitantes no país. Para ser exato, quando os dados foram divulgados, havia 1,3 celulares ativos por habitante do país. Número e proporção que são hoje, com certeza, bem maiores.
Quanto mais usuários, maiores as exigências de atualização e ampliação das redes de transmissão de dados e sinais de telefonia, ao mesmo tempo, menores os custos unitários para instalá-las e mantê-las. É uma constatação simples da chamada “economia de escala”. Quanto mais se produz um determinado produto, menor fica o custo unitário da sua produção. Por este motivo, quanto mais unidades se vende deste mesmo produto, maior é o ganho final que se obtém.
Sem que se espere que as empresas sejam altruístas e se preocupem com o bem estar de seus consumidores, o que se espera é que elas respeitem, ao menos, as leis do mercado. Não é isto o que ocorre, de modo geral, no Brasil e não é isto o que se constata, de modo especial, com relação às empresas de telefonia móvel. Mesmo expandindo constantemente a venda de seus produtos, eles continuam caros e seus serviços continuam mal executados.
Existisse no Brasil uma economia de mercado, de fato, as multas aplicadas e as suspensões impostas às empresas telefônicas seriam de tal monta que elas já teriam, de há muito, melhorado seus serviços ou se retirado do mercado, abrindo espaço para que outras empresas se instalassem. É hora de fazer, por meio de uma regulamentação mais eficaz e de uma fiscalização mais atuante, que ao menos os princípios capitalistas de competição e conquista do consumidor sejam respeitados pelas grandes empresas instaladas no Brasil e, em especial, pelas empresas de telefonia móvel.
Comentários (13)
» Deixe seu comentárioDe fato, precisamos de mais livre mercado.
Um bom início seria acabar com a ANATEL e com todas as regulamentações que incidem sobre setor.
Na Guatemala funcionou: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=cmyPDjJ4l7o [o vídeo só tem oito minutos e é legendado em português].
Por outro lado: “Existisse no Brasil uma economia de mercado, de fato, as multas aplicadas e as suspensões impostas às empresas telefônicas seriam de tal monta que elas já teriam, de há muito, melhorado seus serviços ou se retirado do mercado, abrindo espaço para que outras empresas se instalassem. É hora de fazer, por meio de uma regulamentação mais eficaz e de uma fiscalização mais atuante, que ao menos os princípios capitalistas de competição e conquista do consumidor sejam respeitados pelas grandes empresas instaladas no Brasil e, em especial, pelas empresas de telefonia móvel”.
Então precisamos de mais regulamentação para ter uma economia de mercado? O nome disso é duplipensar.
E incrivel o desrrespeito da operadora do meu moldem 3g naõ funciona quando mais preciso operadora tim 21 -82172226 e a atendente acabou de mi dizer que a internet tim 21 naõ funciona no rio pois esta em obra pago religiosamente e a atendente desliga sem permiti que eu possa argumenta uma falta de educasão e treinamento gostaria de naõ perde o moldem ja que na epoca me custou caro e a soma das mesalidade e consideravel para qualquer um gostaria que a tim tivese um canal desburocratizado para que tornase viavel as reclamação ja que os atendemento e pesimo e não resolve nada apenas toma o tempo do cliente e o deixa frustrado!
É óbvio que é desculpa a legislação de POA. Aliás, acho que ela foi flexibilizada há pouco tempo atrás. Fora isso, aposto que pouquíssimos lugares realmente estejam com tantas antenas assim. Pena que tem juiz que não deixa o procon trabalhar.
É fato que para a OAB RS ter entrado na briga não foi por causa dos usuários “Jecas Tatus”. Alguma (as) empresa (as) lesadas pela “Dona” Oi devem estar por trás dessa ação.
Falta regulação, a Anatel é um cabide de empregos, não faz nada.
Telefonia é concessao pública, as empresas deveriam se alinhar em padrões mínimos ou serem obrigadas a vender a concessão pra quem quer trabalhar.
O tal “livre mercado” na forma como é concebido pelo Carlos é uma espécie de suruba onde a gente só entra com o rabo. E os grandes oligopólios só se servindo. Só te digo uma coisa: as coisas simplesmente não funcionam dessa maneira. Tem que regular sim, e regular forte. O resto é idealização ingênua. Ou mal intencionada.
Pois é, na época da CRT a telefonia era essencialmente fixa, dependia de um par de fios de cobre que conectavam a Central Telefônica com a sala de estar do assinante, passando pelo DG (distribuidor geral), depois seguindo em cabos subterrâneos (de 2400 pares) que percorriam as principais avenidas, cortando em armários, depois em cabos aéreos, em caixas secundárias (internas ou externas) até, por fim, o endereço do assinante.
Este sistema tinha um custo muito alto porque dependia de muitas obras, como, por exemplo, construção de torres de transmissão, centrais, rede subterrânea, redes aéreas, instalação do aparelho. Na falta de condições para bancar as ampliações, o governo lançava mão dos planos de expansão telefônica para captar parte dos recursos, vendendo ações aos futuros assinantes, que ao final de muitos anos de espera, recebiam o tão desejado telefone.
Com o avanço da tecnologia, a coisa ficou mais simples, um pequeno armário numa calçada permitiu instalar 2000 telefones a custos muito menores. A telefonia celular foi dominada e tomou conta do mundo.
Quando a telefonia ficou barata, era hora de entregar o filé para os empresários. Desmembraram o uso do telefone das ações, permitindo que as ações fossem vendidas sem necessidade de se vender o telefone. Como ninguém sabia quantas ações detinha e nem mesmo quanto valiam, quando chegava no interior um cara com uma mala de dinheiro oferecendo R$ 100,00 para o coitado continuar com o telefone, 90% dos gaúchos entregaram por contrato suas ações. As ações compradas por R$ 100,00 – descobriu-se depois, quando foram para a Bolsa – valiam R$ 2.000,00. Britto, Quinzinho, Busatto & Cia enricaram até a oitava geração. Em todo Brasil foi a mesma farra.
No primeiro mês da privatização a tarifa telefônica passou de R$ 0,62 para 3,50. O resto todo mundo já sabe, hoje temos a tarifa mais cara do mundo. Viva à privatização do PMDB.
Victor,
Mercado aberto: milhões de pessoas; quem consegue fazer, faz. Deu certo na Guatemala, mas é ingenuidade, pq todo mundo é MAU e pq… “as coisas não funcionam dessa maneira”.
Uma organização governamental: meia dúzia de pessoas cobrando uma taxinha de quem consegue fazer, sendo que boa parte das pessoas que “conseguem fazer” são controladas pelas pessoas que cobram as taxinhas através de fundos de pensões de estatais.
Não deu certo, mas não tem má-intenção: todo mundo é mau, mas essa meia dúzia é formada por pessoas boas e honestas.
Agora só me diz onde meu rabo está sendo usado no atual esquema de coisas aqui no Brasil…
No mundo do Viomar Azul, a CRT daria certo se vendesse celulares. Imagino que nesse mundo alguma empresa estatal fabricaria os aparelhos e também daria certo.
Ainda bem que nós não vivemos no mundo do Viomar Azul, hshs.
[...] Original post: Sul 21 » Telefonia móvel: oligopólio e desrespeito ao consumidor [...]
Pelo amor de Deus galera, quanto mais se regula pior fica. A própria concessão ja é uma furada, deixa quem quiser entrar nesse mercado que veram em 5 anos como muda toda essa realidade. O consumidor tem que ter é poder de escolha, não adianta termos 5 operadoras fortemente reguladas (isso não é ter opção). O que adianta mesmo é termos 100 ou 200 operadoras, assim não dá pra fazer cartel, não dá pra deixar cliente na mão, não dá pra vacilar, senão: PERDE TUDO pra concorrente.
Belo texto.
E que essa situação em Porto Alegre seja estendida a todo o país.