Cultura

“A sociedade caminha para relações amorosas múltiplas”, diz psicanalista

Arquivo Pessoal

Regina Navarro Lins: "Daqui algumas décadas a escolha do objeto amoroso será pelas características de personalidade e não mais pelo gênero" | Foto: Arquivo Pessoal

Rachel Duarte

Há no mínimo cinco mil anos o sexo é algo reprimido na sociedade. Em pleno século 21, diante do aumento da exposição da intimidade e das preferências sexuais, o tema ainda mexe com valores culturais e morais a ponto de manter preconceitos. Psicanalista há 38 anos e autora de mais de dez livros sobre o assunto, a carioca Regina Navarro Lins conversou sobre amor e sexo com o Sul21.

Para a psicanalista, os valores tradicionais de relacionamento não estão dando mais respostas satisfatórias e, com isso, se abre espaço para uma nova forma de viver. “Daqui algumas décadas a escolha do objeto amoroso será pelas características de personalidade e não mais pelo gênero homem ou mulher”, diz. Ela afirma, ainda, que o cavalheirismo é um retrocesso para o feminismo, uma vez que reforça a ideia de que a mulher é frágil e incompetente, necessitando de proteção do homem.

Com nove anos de site sobre relações amorosas e sexuais, ela recortou os principais desejos da maioria das pessoas e defende que traição não está relacionado a relações extraconjugais. “Eu não tenho dúvida, que as pessoas viveriam muito mais felizes e satisfeitas se elas entendessem que o que o outro faz quando não está comigo e não me diz respeito”, afirma.

Sul21 – A senhora tem dez livros sobre amor e sexo. Está prestes a lançar mais um este ano. Como você diferencia o amor e o sexo, já que da atração sexual surgem amores, assim como, pessoas podem amar outras que inicialmente não se sentiam atraídos?

Regina Navarro Lins – Amor e sexo são totalmente distintos. Você pode sentir tesão por alguém e não sentir amor por esta pessoa. Não necessariamente do tesão nasce o amor. Pode acontecer. Assim como você pode amar alguém e não ter tesão por esta pessoa. Isso acontece em muito casamentos. As pessoas se amam, gostam de estar juntas e ter projetos a dois e uma vida conjunta, mas não sentem tesão um pelo outro. Por isso, digo que são duas coisas totalmente distintas.

Sul21 – Manter o tesão pela mesma pessoa que se ama ou se convive há muito tempo é a forma de se manter fiel?

Regina Navarro Lins - O maior problema dos casamentos é o sexo. No casamento é onde menos se faz sexo. Há vários motivos. Podemos falar da excessiva familiaridade, excessiva intimidade, mas eu acredito que existe um grande vilão nesta história que ninguém fala: a exigência de exclusividade. O casamento se presta muito ao desenvolvimento de uma dependência emocional mútua. Isto porque, nós saímos do útero da mãe e somos tomados pelo sentimento de falta e desamparo. Além de vivermos em uma cultura onde se acena o tempo todo que vamos encontrar a alma gêmea, a outra metade da laranja, alguém que nos completa e outras mentiras do mito do amor romântico. Isto tudo como se você pudesse, na relação com outra pessoa, ficar livre desta sensação de abandono. Por isso repetimos o comportamento que temos quando somos crianças, de possessividade em relação à mãe para que ela não nos abandone. Se a mãe não der cuidados emocionais ou atenção, a criança morre. Quando o adulto cresce e entra na relação amorosa, ele reedita o mesmo vínculo primário que tinha com a mãe e se torna possessivo, ciumento, controlador. Então, no casamento as pessoas depositam um no outro a ideia de que não irão mais ficar sozinhas, desamparadas. Nisso se desenvolve a dependência emocional mútua. Se você sabe que o outro depende de você, que tem pavor de te perder, não há mais conquista ou sedução. A exigência de exclusividade acaba com isso, deixamos para amanhã… E vamos  nos tornando amigos e irmãos e não tendo mais tesão.

O amor romântico é calcado na idealização. Você olha para uma pessoa e vê nela algo que ela não é e passa a vida tentando transformá-la.

Para você viver uma relação amorosa e um bom casamento, as pessoas precisam reformular as expectativas que elas alimentam a respeito da vida a dois. Regidos pelo mito amor romântico, as pessoas acreditam que vão se transformar numa só, que todas as necessidades serão satisfeitas pelo outro, que quem ama não tem tesão por mais ninguém, que só se tem olhos para o companheiro. Aí se abandona os amigos e outros interesses.

Sul21 – As pessoas devem te perguntar a receita mágica de como ser feliz no amor. O que você responde?

Regina Navarro Lins - Pode ser ótimo se não tiver controle de um e de outro, liberdade de ir e vir, não ficar sabendo onde o outro anda e se está transando com outra pessoa. As pessoas respeitarem a liberdade um do outro. A questão da simbiose é só entre bebê e mãe. Não se pode reeditar isso na vida adulta. Se for reformulada as expectativas e não ficar controlando a vida do outro, se transou ou não transou com outra pessoa, é melhor. A exigência da exclusividade é algo que vira obsessão para as pessoas. A maioria das pessoas vivem com a neura dessa preocupação. A palavra traição, para mim, não tem nada a ver com relação extraconjugal. Ninguém tem que se preocupar se o parceiro transou ou não com alguém. Tem que ser perguntar: Eu me sinto amado(a)? Me sinto desejado(a)? Se a resposta for sim para as duas perguntas, o que o outro faz quando não está comigo não me diz respeito, não é da minha conta. Eu não tenho dúvida que as pessoas viveriam muito mais felizes e satisfeitas.

Sul21 – Pela pesquisa que a senhora fez para um de seus livros, 73% dos que responderam dizem ter desejo por sexo a três e 80% diz que não considera o casamento fundamental. Levando em conta que todos disseram a verdade, temos uma mostra de que a sociedade está se direcionando para relacionamentos mais liberais. Voltaremos à década de 60?

Regina Navarro Lins – A mentalidade começou a mudar depois da pílula anticoncepcional, mas em 60 e 70 ainda eram grupos pequenos a mudar a sua visão, era o movimento gay, movimento hippie, poucas pessoas. Eu acredito que, com o tempo, menos pessoas vão querer se fechar numa relação a dois e mais pessoas vão optar por relações múltiplas e variadas. A mudança das mentalidades é lenta e gradual. A exigência da exclusividade também está mudando. Como eu trabalho com isso eu fico atenta aos sinais. Observando as casas de swing, que aqui no Rio de Janeiro tem muitas e Porto Alegre também tem algumas. Eu inclusive fui conhecer o Sofazão, mas dei azar porque fui em um dia que só tinha três casais fazendo sexo em uma sala.

As pessoas não assumem moralmente seus desejos, mas os tem

Eu trabalho com casais no consultório. E você não imagina a quantidade de casais que chegam com aparência de conservadores, com filho pequeno e que todo final de semana vai para casas de swing. Neste caso específico, a mulher transa mais que o homem com outras pessoas. Tem outro casal, uma médica de 39 anos e um marido de 35, que planejam ter filhos e tudo, e que ele insiste que ela vá em uma casa de swing, diz que quer ver ela com outro homem. Mas estas pessoas jamais contaram isso para amigos. Então, de repente a pessoa que trabalha ao teu lado aí na redação pode ter estes desejos e você nem imagina olhando para ele. Entendeu como funciona? (risos)

A atriz Leila Diniz escandalizou a tradicional família brasileira ao exibir sua gravidez em 1971 | Foto: Reprodução

Tem pessoas que fazem terapia e também não contam. Vem se tratar comigo de forma paralela ao terapeuta. Isto é um sinal de que as mentalidades estão mudando. Assim como se tornou natural as moças não casarem virgem de uma época para outra, o que na década de 60 isso era impensável. Eu conheço uma moça que teve que fazer plástica na vagina para casar “virgem”.

A sociedade está preparada hoje para essa mudança? Eu digo que tanto quanto estava na época em que moças só casavam virgens. Quando olhamos, as coisas já aconteceram. A separação também era um escândalo. As mulheres separadas eram discriminadas, era um horror ser desquitada. O mesmo quando a Leila Diniz abriu caminho para a exposição das barrigas das grávidas. Tudo é um processo que só se percebe quando se conclui, aí está transformada a realidade.

Sul21 – Então, a senhora afirma que a monogamia está com dias contados?

Regina Navarro Lins - Eu não tenho a menor dúvida. Cada vez as pessoas começam a ter relações extraconjugais mais cedo e o número de mulheres que tem relações extraconjugais é igual aos homens, se não maior. Já atendi mulheres que têm o mesmo tempo de relação com o marido e com o amante há dez ou 20 anos. Só que não contam para ninguém. A diferença é que os homens contam, porque sempre foi permitido culturalmente a ele ter mais de uma mulher. A mulher não podia porque tudo estava relacionado à procriação. Quando o patriarcado surgiu, há cinco mil anos, surgiu a propriedade privada. As mulheres foram trancadas porque os homens tinham medo de deixar a herança para filhos de outros homens. Já eles podiam ter filhos com outras mulheres. Então, não tenho dúvida de que ainda vamos assistir a muitas mudanças, mas até a maioria das pessoas optarem por relações múltiplas levará 20 ou 30 anos. Não é algo para o próximo verão.

Sul21 – Isto significa dizer que outros valores constituídos pela sociedade conservadora também irão modificar, como o próprio casamento? Segundo o IBGE há um crescente no número de casamentos. Isso não é um sinal de que o amor romântico ainda é uma busca da humanidade?

Regina Navarro Lins – Quando eu fiz a minha pesquisa eu estudei estes dados do IBGE. Este crescimento é constituído por casamentos coletivos, sem cobrança de taxas, recasamentos e não o aumento decasamentos pela primeira vez. São dados gerais e variáveis. Eu aponto tendências. Haverá pessoas que vão continuar se casando. Mas eu acredito que cada vez mais pessoas vão se dar conta que é possível amar mais de uma pessoa. A grande vantagem do momento em que vivemos é cada um escolher a sua forma de viver. Não acho que tenhamos que substituir um modelo por outro, o importante é não ter modelo. A medida que os modelos tradicionais não forem servindo para as pessoas, elas vão poder escolher outras formas de viver. Se você quiser ficar numa relação durante 30 anos e só fazer sexo com essa pessoa, pode. Quem quiser três parceiros também pode. Eu aposto na liberdade como forma de viver.

Sul21 – De nove anos de site sobre amor e sexo você conseguiu fazer dois livros: “A Cama na Rede” e “Se Eu Fosse Você”. Como foi isso?

Livro "Se eu fosse você", de Regina Navarro Lins. Editora Best Seller | Foto: Reprodução

Regina Navarro Lins – O livro tem o nome da ideia do site, que era “Cama na Rede”. Na época, quando começou o boom da internet, um investidor me procurou porque desejava investir no site. O conteúdo era exclusivamente sobre relacionamento amoroso e sexual. Os dois livros foram links que fizeram muito sucesso na rede. Eu lançava perguntas de situações hipotéticas. A pergunta mais respondida foi se as pessoas tinham vontade de fazer sexo a três. Quase 1,5 mil pessoas responderam que sim. E eu lancei a pergunta devido aos inúmeros emails que eu recebia pedindo por este tema. Eu fiz dois livros a partir deste site, mas o conteúdo poderia gerar inúmeros livros.

Sul21 – O quanto e como a era da internet está influenciando nas transformações das relações amorosas e sexuais?

Regina Navarro Lins – A internet está mudando o mundo todo. As pessoas nem se dão conta das mudanças. Mas as relações têm mudanças absurdas, como as relações à distância sendo cultivadas de forma muito mais próxima. As redes sociais da internet estão no dia a dia do nosso trabalho, inclusive nas relações amorosas e sexuais. Na questão dos parceiros múltilplos tem a influência da internet. Você usa o chat para conversar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo e se você não gosta de qualquer coisa você deleta e acabou. Na vida real você sai para jantar com alguém para conhecê-lo e se ele for uma mala, você tem que esperar a noite toda para ir embora. Na internet não. Assim se transfere para a vida real.

Sul21 – Os desejos que expressamos diante da tela do computador são reais, mas nem sempre assumidos na vida fora do computador. Há de fato uma transferência do modo de se relacionar na internet para as relações presenciais?

Livro "A cama na rede" expõem verdades difíceis de assumir publicamente. Editora Best Seller | Foto: Reprodução

Regina Navarro Lins – Isto vai sendo absorvido para a vida real. Mas não é só isso que influenciou para o desejo de ter relações múltiplas. O amor romântico surgiu no século 12 e nunca foi permitido no casamento. O amor entra como possibilidade no casamento no século 19, mas, passou a ser um fenômeno de massa a partir de 1940 quando todos passaram a querer casar por amor. A influência de Hollywood ajudou. O amor é uma construção social. Para o último livro que escrevi, O Livro do Amor, que será lançado em junho, pesquisei da Pré-História, passando por Grécia, Roma, Idade Média, Renascença, Iluminismo, Século XIX, Século XX, e século XXI. Serão dois volumes. O amor é uma construção social que muda conforme a época. Hoje, as pessoas vivem que o amor é sempre o mesmo, ou seja, amor romântico. Mas este tipo de amor só existe no Ocidente e está dando sinais de sair de cena. Hoje existe uma grande busca da individualidade e não tem a ver com egoísmo. As pessoas não estão a fim de abrir mão dos seus projetos pessoais. Então, o amor romântico prega exatamente o oposto disso: a fusão das almas gêmeas, os dois se transformarem em um só. A grande viagem do ser humano hoje é estar dentro de si mesmo. É saber das suas potencialidades. E o amor romântico prega que você se feche na relação com uma pessoa.

O amor romântico dá sinais de que irá sair de cena e irá levar com ele uma das suas características básicas: a exclusividade sexual.

Sul21 – O sexo é uma das coisas mais procuradas na internet. Que análise a senhora faz desta relação de procura e oferta?

Regina Navarro Lins – Primeiro: o sexo é uma coisa muito boa e há dois mil anos é reprimidíssimo. Desde o advento do cristianismo é visto como algo sujo e, apesar das mudanças de hoje, ainda há muitos preconceitos. Há mulheres, por exemplo, que ficam de beijos ardentes, mas na hora de ir para cama dizem que não transam no primeiro encontro. Ela não transam não porque não estão com tesão, e sim por submissão ao homem, com medo de que ele não irá ligar no dia seguinte. E por ai vai. O sexo é usado para outros objetivos que não o prazer sexual. Continuidade da relação, conquistar alguma coisa. Enfim, a repressão ainda é grande. A internet rompe com alguns destes preconceitos. Antigamente os homens compravam as revistas Playboy como única possibilidade. Agora você tem tudo disponível na internet. Na medida em que o sexo começar a ser percebido como algo bom, natural, que faz bem, as pessoas irão fazer sexo de mais qualidade. Isto não impede que você de ter desejo de querer ver pessoas transando. E na internet você pode combinar de se relacionar em encontros casuais. Tem estudos que comprovam que as mulheres se excitam tanto quanto os homens ao ver os órgãos genitais dos homens.

Sul21 – Apesar das transformações da sociedade atual, a igualdade de gênero ainda é uma busca das mulheres. Há uma parcela feminina que ainda espera o homem abrir a porta do carro, pagar a conta do motel. Cavalheirismo e romantismo tem influência negativa para o feminismo?

Regina Navarro Lins – No meu livro, a pesquisa respondida pela internet mostra que 69% acham que as mulheres deveriam dividir a conta do motel. Eu tenho amigas psicanalistas falando que dividem tudo, menos a conta do motel. É uma ideia ainda que a mulher é objeto e o homem tem que pagar. É a origem da prostituição. As mulheres eram tão oprimidas que, com o seu corpo, satisfaziam as necessidades masculinas e ganhavam presentes em troca, roupas ou comida. Há mulheres que usam como argumento o fato de que elas já gastam com depilação e demais cuidados estéticos, então não devem dividir o motel. Quer dizer, as mulheres querem os benefícios da emancipação feminina e não querem o ônus dessa emancipação. Porque não dividir a despesa de motel se o homem e a mulher vão ter prazer?

Quanto ao cavalheirismo, é péssimo para a mulher. Gentileza é algo que homens e mulheres podem e devem ter. Agora, esperar que o homem abra porta do carro ou puxe a cadeira para a mulher sentar é reforçar a ideia de que a mulher é incompetente, afinal, foi assim que ela foi considerada durante milênios. Está embutida a ideia de que a mulher é inferior, frágil, que não pode administrar aspectos simples da vida.

Sul21 – O sexo e a moral ainda geram muitas contradições nas práticas da sociedade. Religiosos praticam pedofilia, pais de família buscam travestis nas calçadas, enfim. Porque sexo ainda é tão polêmico e mexe tanto com as pessoas?

Regina Navarro Lins – Por conta da repressão. Uma criança na nossa cultura nasce e cresce aprendendo que toda a ofensa está ligada a sexo. Não tem um xingamento que não seja ligado a sexo. Então, sempre quando se quer ofender alguém se fala de sexo. Já crescemos com o sexo como algo sujo. No caso da homossexualidade, durante muito tempo foi um preconceito horrível. A homossexualidade já foi considerada pecado, crime, doença. O século 18, a homossexualidade e a masturbação eram consideradas abomináveis. Em 1973, a associação médica americana tirou a homossexualidade da categoria de doença. Mas, ficou arraigado a ideia de que tudo que não levasse a procriação era pecado. A pílula anticoncepcional dissociou o sexo da procriação e o aliou ao prazer. Até o movimento gay se beneficiou com a pílula, na medida em que a prática hétero e homo se aproximaram, ambas visando o prazer. Mas, tudo é um processo. Ainda estamos caminhando. Tem muito preconceito, mas os gays já ganharam mais espaço e vão ganhar mais ainda. Acredito que a tendência seja a bissexualidade. O patriarcado dividiu a humanidade em duas partes: o masculino e o feminino. O ideal masculino é força, sucesso, poder, coragem, ousadia. Mulheres, por outro lado, são doces, meigas, cordatas, submissas. Na derrocada do patriarcado com a chegada da pílula, onde as mulheres passam a gerenciar a reprodução, houve o golpe fatal nesse sistema, que a partir daí começou a desmoronar. Hoje, nós queremos ser o todo. Todos somos fortes e fracos, corajosos e medrosos, passivos e ativos. Não queremos ser só um lado. O homem quer chorar, falar de emoções. Mulheres querem ser fortes. As pessoas querem ser o todo e não mais mutiladas. Acredito que daqui algumas décadas a escolha do objeto amoroso será pelas características de personalidade e não mais se é homem ou mulher.

Sul21 – Qual o conselho que você dá para que as pessoas não se submetam à moral imposta e consigam viver o mais possível em sintonia com seu desejo?

Regina Navarro Lins – É fundamental que as pessoas reflitam a respeito dos valores e das crenças aprendidas e, aos poucos, irem deletando o moralismo e os preconceitos. Isso, se você quiser viver bem. Mas, para viver bem, ter que ter coragem.

Comentários (33)
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Comentário de: Felipe X | 25 de fevereiro de 2012 | 9:38

Varios pontos interessantes, principalmente sobre poligamia. Mas dizer que casados fazem menos sexo é legal como humor mas nao como fato. Ao menos minha experiência foi bem diferente.

Comentário de: Felipe X | 25 de fevereiro de 2012 | 9:40

E olha.. acho que passamos da fase de queimar sutiãs, não custa nada abrirmos uma porta as vezes pra nossas mulheres, lindas e independentes ;)

Comentário de: Pedro Carraro | 25 de fevereiro de 2012 | 9:53

Primeiro: ou é “a senhora” ou é “tu”. Ficar misturando formas de tratamento no texto fica deselegante e depõe contra a autora.
Segundo: “Então, não tenho dúvida de que ainda vamos assistir a muitas mudanças, mas até a maioria das pessoas optarem por relações múltiplas levará 20 ou 30 anos. Não é algo para o próximo verão.” Da forma como ela colocou, levará de 200 a 300 anos…
Terceiro: “Ninguém tem que se preocupar se o parceiro transou ou não com alguém. … o que o outro faz quando não está comigo não me diz respeito, não é da minha conta.” Não concordo. É muita simplificação para um relacionamento verdadeiro. Eu não acredito que ela acredita realmente nisso.
Quarto: as estatísticas dela são restritivas e não gerais. Não podem ser alargadas para o universo da população.

Comentário de: Felipe X | 25 de fevereiro de 2012 | 11:52

Eu acho que a tendência é haver mais relações poligâmicas, e que traição só é isso quando existe uma expectativa de exclusividade. Mas tens um ponto Pedro, pois relações extra conjugais de certa maneira dizem respeito a ambos, pergunte para quem é fiel e pegou doença venérea de um parceiro. O grande problema que vejo no tipo de raciocínio da psicanalista é o erro clássico de vários estudiosos quando olham uma estatística: achar que uma mudança forte recente é uma tendência que vai ser manter no futuro. A sociedade dá muita volta, e pode ser que daqui poucos anos haja uma retomada brusca de antigos moralismos. Torço que não.

Comentário de: Paulo José Ribeiro | 25 de fevereiro de 2012 | 12:59

“relações extra conjugais de certa maneira dizem respeito a ambos, pergunte para quem é fiel e pegou doença venérea de um parceiro”

exato

Comentário de: Paulo José Ribeiro | 25 de fevereiro de 2012 | 13:02

“E olha.. acho que passamos da fase de queimar sutiãs, não custa nada abrirmos uma porta as vezes pra nossas mulheres, lindas e independentes ;)”

Pois é, não se trata de achar a mulher inferior ou frágil. Ser gentil não tem a ver com isso.

Comentário de: Zétenso Enervoso | 25 de fevereiro de 2012 | 15:59

“relações extra conjugais de certa maneira dizem respeito a ambos, pergunte para quem é fiel e pegou doença venérea de um parceiro”

Perfeito. Na teoria me parece que multiplas relações é um caminho muito normal e natural mas na realidade me parece que nada mais é do que a institucionalização da superficialidade.

Só pra compartilhar, a entrevista me lembrou o clássico da banda Ultraje a Rigor:
“Eu quero levar uma vida moderninha
Deixar minha menininha sair sozinha
Não ser machista e não bancar o possessivo
Ser mais seguro e não ser tão impulsivo

Mas eu me mordo de ciúme

Meu bem me deixa sempre muito à vontade
Ela me diz que é muito bom ter liberdade
Que não há mal nenhum em ter outra amizade
E que brigar por isso é muita crueldade

Mas eu me mordo de ciúme”

Comentário de: Verô | 25 de fevereiro de 2012 | 16:33

Acho interessante acabarmos com o preconceito existente quanto a outras formas de relacionamento afetivo e sexual, mas fora isso:
- gostaria de saber se ela aconselha o uso de preservativo em todas as relações sexuais;
- gostaria de saber como algumas pessoas conseguem levar vidas tão “compartimentadas” e outras não;
- acho que a amostra da psicanalista é um pouco reduzida…a maioria das pessoas trabalha muito durante a semana, sobrando pouco tempo para o parceiro, os filhos, a família, os amigos, sem falar nas tarefas domésticas e na vida intelectual. Ou será que suas “amigas” e “pacientes” dispõem de um exército de babás e empregadas, ficando então liberados para uma vida dupla, tripla, etc?

Comentário de: Ana Carolina | 25 de fevereiro de 2012 | 17:16

Ufa. Ainda bem que li os comentários antes de escrever o meu. Eu estava pensando, vão me chamar de retrógrada, machista, antiga e (claro – ela tinha de mencionar o cristianismo como algo abominável) crente, ou seja, uma pessoa horrível. ehehehe.
Penso que essa senhora deve ser muito infeliz, muito amarga e deve gostar muito de dinheiro para abrir um site na internet falando em sexo e já começando com uma pergunta que iria com certeza trazer muuiitos comentários.
Queria que ela falasse em sexo como algo não óbvio. Diferente dos animais, como diziam os Mamomas: “Como os cachorros que transam com suas mães e suas tias”. Acho que ela mistura temas, para reforçar o tema dela, e isso acaba se constituindo numa enorme falácia.
1. Liberdade é fundamental – sim, concordo – o marido ver a mulher transando com outro é liberdade – não, eu penso que não. Pelo menos da minha parte, penso que não. Penso que é um pobre cidadão, louco para ver outro homem transando, ou ele mesmo transar com outro homem e usa a mulher como desculpa para dizer que – apesar disso – ele é macho-cho.
Por favor, nada contra homens que gostam de homens, nem de mulheres que gostam de mulheres, tudo bem, eu não tenho nada com isso. Agora, se o homem que está comigo, quer ver o pinto de um outro, as nádegas do outro, ou outro suado, excitado, indo e vindo, bem, eu vou ficar com minhas duas orelhas em pé. Sinceramente, eu fora. Estou escrevendo sinceramente, porque sempre cresço com o que conversamos aqui no Sul21. Por isso venho sempre.
2. Liberdade é cada um na sua. Sim. Eu não vou obrigar meu parceiro a acreditar no mesmo Deus que eu, ou acreditar, simplesmente, ou a ser vegetariano, por exemplo, nada disso. Agora, Liberdade ser “cada um faz o que quer e o outro não precisa saber” – NÃO. Totalmente, não. Eu quero saber com quem estou, quero saber se é ético, se é companheiro, se é amoroso comigo, com a família, com quem for. Se não comete assédio moral no trabalho, se vota comigo, se é de meu partido, se maltrata animais. Eu não vou ficar com uma pessoa desconhecida. Ficamos juntos e depois vai cada um para um lado… sim e daí? Parece piada isso.
3. Sexo Livre é bom. É, deve ser, mas não é o que parece. Tanto que as pessoas – pelo menos as famosas, que acabam perdendo sua privacidade como preço pela fama – todas as que viveram assim, sucumbiram à droga, ao álcool, sem falar nos suicídios. O ser humano não é só matéria. Além disso, a maior parte dessas “liberdades” vai depender do corpo da mulher. Dela se drogar com pílula anticoncepcional, ou ter de usar camisinha – sem saber se vai segurar a onda ou não, ficando na roleta russa, sem saber se o companheiro tem algum tipo de doença ou não. Enfim, vamos dar para todo mundo? Opas, não é dar, é trocar. Sinto muito, senhora, eu não. Sou antiga sim. Tenho 47 anos, quase 50, não fica bem para mim – por mim – não por ninguém – ficar indo para casas onde estão três ou quatro casais copulando. (Penso que sem amor é cópula que a gente chama cientificamente, não é?). Sinceramente, eu fora.
4. Sobre as pesquisas, concordo com o Pedro. Eu trabalho com as redes sociais há muito tempo, vi personagens sendo criados por três ou quatro jovens às gargalhadas. Pelo amor de Deus, uma estatística da Internet não é séria. Queria ver ela pegar fichas do SUS, ou ir em três ou quatro favelas. De repente, pega o pessoal de Pinheirinhos agora e verifica como está o sexo no casamento deles. Ciência sem análise de contexto social não tem cabimento. As pessoas que estão na internet são uma elite, mesmo que não tenham computador e ocupem lans, ainda assim, são elite. É preciso fazer essa pesquisa de forma mais ampla.
Alexandra Kolantai, sobre a moral da nova mulher – de 1918 e poucos, sei lá tem um livro muito lindo sobre isso. Recomendo a leitura à senhora. Está em algum lugar nessa minha casa virada em livros por todos os lados…
5. Sobre se fechar com a pessoa por causa do amor, penso que não é verdade absoluta, se o amor for verdadeiro, vc vai ficar com uma pessoa de acordo com sua personalidade e as pessoas podem ser “fechadas” ou “abertas”. Há pessoas que por si só são reservadas, não vão abrir suas vidas porque encontraram alguém, é questão de personalidade, não de modernidade ou opressão.
Olha, eu precisaria um artigo para contrapôr algumas coisas que essa senhora combinou como se fossem verdade. Vc pegar uma verdade e misturar com outra coisa qualquer, não transforma essa coisa em verdade. Que foi o que ela fez, é preciso ir desconstruindo isso. O que há de verdade e o que há de falácia na mistura que ela fez.
Sei lá, devo ser muito burra.
Talvez por isso esteja sozinha (agora ela vai adorar essa parte). Eu procuro um homem que goste de mulheres, que seja um homem gentil e terno e não um “cavalo”, que goste de mim e do mundo, que não traia a nós dois, no amor que construirmos, que seja uma pessoa coerente e justa. Se isso é ser medieval, bem, eu nunca disse que não era. Vou morrer sozinha, ok. “Antes só, do que mal acompanhada”. Desejo sucesso aos relacionamentos “livres”.
Eu quero ser livre de outra forma.

Comentário de: Ana Carolina | 25 de fevereiro de 2012 | 17:25

p.s. ahahaha. Desculpem, se ela fosse o que diz, em termos de avanço, a capa de sua “obra” literária não traria uma exploração do corpo feminino, da forma mais antiga e machista possível. Modernista? Capitalista, para mim, isso resume o caso.

Comentário de: Felipe X | 25 de fevereiro de 2012 | 18:32

Ana Carolina, não gosto das generalizações que fizeste em relação a psicóloga em si (amarga, etc) mas gostei da análise do texto dela e ri alto com a referência aos mamos, PERFEITO! hahahaHaHAH. E acho que nessa piada tem uma coisa que é fato. O ser humano tem relações sociais mais complexas que outros animais e sexo em todas espécies tem relação (entre outras coisas) com relações sociais. Sexo com alguém com quem se tem indimidade é totalmente diferente de sexo casual, não que o último seja ruim. Mas acho que a tendência é que no futuro as pessoas tenham ainda parceiros fixos (desligado da idéia de casamento) e algumas saidinhas de vez em quando, sem precisar esconder, não toda uma vida. Todo mundo vai ser assim? Acho que não, mas uma boa parte.

Comentário de: Felipe X | 25 de fevereiro de 2012 | 18:36

Mas enfim, estamos na busca né? Eu tenho 32 e fui casado (monogamicamente) por 7 anos, me separei em bons termos exatamente por que nunca faltei respeito com minha ex nem vice-versa. Relacionamentos são difíceis né? As vezes a gente acha alguém legal mas o convívio gera infelicidade da mesma maneira :(

Comentário de: Ana Carolina | 25 de fevereiro de 2012 | 21:43

Oi, Felipe. Talvez eu tenha sido rigorosa demais com a autora, mas o que eu penso é isso mesmo. Acredito que vc diz que pode viver sem o amor, apenas se vc não conhece o amor. Quem conhece o amor, não diz que ele não existe. Enfim, sobre os relacionamentos, penso que, com simplicidade, condensaste tudo: Relacionamentos são difíceis. Exato. Todos os tipos de relacionamentos, até numa mesa de jogo de cartas. Entre todos os gÊneros, os quatro gêneros, enfim, vamos falar assim para não ferir ninguém. Acho que tudo depende dos objetivos. Vc supera as dificuldades se o objetivo for esse, superar as dificuldades e crescer e se melhor como pessoa, qualificar a relação, mesmo que a opção seja um afastamento, é uma outra forma de manter o relacionamento. Enfim, me lembrei de uma piada sem-vergonha, não sei se o Sul21 vai publicar, é assim:
“Na época do cio, um carneiro vem para a ovelha, olha para ela com enfado e diz: Nossa, como tens pouca lã! Ela diz, fd-se, vc veio para fd ou fazer tricô?”

Enfim, tudo é uma questão de objetivo.

Comentário de: Fernando | 25 de fevereiro de 2012 | 23:24

Pelo tom raivoso dos comentarios, acho que sentiram a estocada, vestiram a carapuca, ou o chapeu, como queiram. “Como se trabalha a semana toda, se tem que batalhar, nao sobra tempo para ter 2 ou 3 amores. Vai ver esta senhora e’ rica e pode se dar ao luxo etc.”. Como se a tal senhora fosse a favor da ordem capitalista de trabalhar ate’ se esfalfar toda a semana. Entao o mal menos pior e’ aturar um marido ou esposa chato ate’ nao mais poder, ja’ que nao sobra tempo. Viver = sobreviver. Massa e’ tudo um bando de conservador, fascistas!

Comentário de: H. Romeu Pinto | 26 de fevereiro de 2012 | 14:46

Como dizia o filósofo Chico Anysio: “Prefiro dividir um prato de morango com meus amigos que comer um prato de merda sozinho”. Riar, riar, riar.

Comentário de: Ricardo | 26 de fevereiro de 2012 | 15:27

A matéria em é bastante polêmica, aliás, como sempre em se tratando destes temas. Não me impressiona o fato, mudanças sempre existiram e continuarão, faz parte da evolução do ser humano.
As afirmações, de que tais comportamentos, sejam o caminho de uma verdade é que são de fato a questão apaixonante.
Entre as mudanças previsíveis de comportamento da sociedade muitos fatores podem deter ou romper determinada corrente.
Somos mutáveis, mas tenho opinião que determinados valores devem ser mantidos em nome de uma humanidade com mentes mais saudáveis .

Comentário de: Zétenso Enervoso | 26 de fevereiro de 2012 | 15:37

Os senhores de engenho também tinham relações múltiplas com as escravas que mais lhe agradavam.

Acho que o grande risco das relações múltiplas é ficar ao lado da pessoa só nas horas boas e qnd a situação ficar difícil aquele que está melhorzinho pula fora. Na verdade já estamos vendo isso em muitos casamentos onde as pessoas não suportam nenhuma adversidade e se divorciam por pouca coisa ou procuram fora de casa “coisa melhor” para passar o tempo e não se preocupar com “bobagens”.

Não estou dizendo que as pessoas nunca devam se divorciar… só acho que corre o risco de ninguém mais querer relações mais profundas e ficaram só com a cereja e o merengue do bolo… só com o açúcar barato, só querem a parte superficial da relação. Por que tanto medo do recheio? Por que tanto medo de se aprofundar?

Comentário de: João | 26 de fevereiro de 2012 | 15:48

Até quando os brasileiros vão considerar as idéias de pessoas visivelmente desqualificadas e burras? Não sabe nem escrever e quer tratar de um tema que abrange todo o Ocidente… Vá estudar, semi-analfabeta!

Pingback de: Liberou geral: monogamia está com os dias contados. « Jornal O Expresso | 26 de fevereiro de 2012 | 21:08

[...] Veja instigante entrevista do portal Sul 21, com a psicanalista Regina Navarro Lins, mostrando que o trem do comportamento pode ter passado na sua porta e você nem pensou em embarcar. Gênero, número de parceiros e orientação sexual são coisas em que o caro leitor nem precisar mais pensar. Casamento, então, parece estar nos últimos dias. Veja a íntegra da matéria clicando no link (texto em vermelho).  -12.099405 -45.798260 Gostar disso:GostoSeja o primeiro a gostar disso post. from → Carlos Alberto Reis Sampaio, Comportamento ← Grêmio perde nos pênaltis para o Caxias. Está fora da Copa Piratini. Ainda sem comentários [...]

Comentário de: Michele | 26 de fevereiro de 2012 | 21:45

Sempre considero de um oportunismo tremendo e detestável o trabalho de profissionais como esta psicanalista que, a partir de pesquisas sem um devido aprofundamento, pregam o futuro das relações como a busca pelo prazer e satisfação pessoal acima de tudo.
Porque, é claro, isto vende livros. As pessoas querem ouvir um especialista dizer que ser infiel é normal e uma tendência, assim você pode se sentir menos culpado e ainda um vanguardista.
É possível que estejamos caminhando para isso (relações multiplas e superficiais), mas devemos aceitar como uma evolução da sociedade? Francamente, acredito que não.
Este é exatamente o núcleo central da deterioração da nossa sociedade. As pessoas buscarem o prazer e a realização pessoal, colocando seus desejos e necessidades acima dos outros, acima de tudo, sem tomar para si nenhuma responsabilidade coletiva ou familiar que interfira na sua busca hedonista.
Isto não só nas relações interpessoais mas em todos os aspectos da vida em sociedade.

Não estou aqui levantando a bandeira do casamento ou dos chamados valores tradicionais. Acho que a liberdade individual é extremamente importante. Não tem nada de bom em um relacionamento onde um dos parceiros deve ser anular. O espaço do outro deve ser preservado. E quem não quiser se casar não deve fazê-lo por pressão, quem estiver em um casamento infeliz tem todo o direito de se divorciar, casais que acham melhor ter multiplos parceiros, vão em frente. Agora, simplesmente pintar o amor, o respeito e a tentativa de construir algo duradouro e verdadeiro junto como uma forma retrógrada de sufocar o indivîduo, francamente, não cola pra mim.

Com as coisas como estão hoje, acho que os verdadeiros revolucionários são aqueles que tem a coragem de tentar construir uma vida juntos, lidando com os períodos difíceis, as brigas, o desejo e a falta dele em alguns momentos. Isso sim é ato de coragem e, porque não, vanguardista. Afinal, se há 30 anos as pessoas, mesmo que casando apaixonadas, ficavam juntas por obrigação, nada mais moderno que, em tempos de individualismo, ficar junto por amor.

Comentário de: Luciane | 26 de fevereiro de 2012 | 21:56

Penso que isso não tem nada haver com mudança de paradigmas e sim com respeito ao ser hunamo, pois se as coisas continuarem dessa forma todo mundo vai transar com todo mundo e ai como ficam as relações, os sentimemtos intrinsecos nesse movimento?
As pessoas ficam juntas por opção, nada mais sincero e honesto consigo mesmo do que a consideração pelo outro.

Comentário de: Edinete Simas | 26 de fevereiro de 2012 | 23:39

Ao Sul21: Por favor, cuidado com o português!
De nove anos de site sobre amor e sexo você conseguiste fazer dois livros: “A Cama na Rede” e “Se Eu Fosse Você”.
VOCÊ CONSEGUISTE? O QUE É ISSO?

Comentário de: Diego | 27 de fevereiro de 2012 | 14:46

Concordo, em parte, com tudo aquilo que a psicanalista fala na entrevista e, ao mesmo tempo, com grande parte dos comentários sobre a mesma. De fato, há um equívoco tremendo da pesquisadora ao tratar de um tema que me parece muito mais carregado de variáveis significativas do que apenas de uma composição linear-futurista em direção a uma “libertação do indivíduo” como sendo igual a qualquer tipo de “flexibilização das relações monogâmicas”. A pretensa “transição” entre monogamia e poligamia é o ponto a que precisamente quero me deter: isso é fruto de uma concepção linear da história que, por conta de um pretenso entendimento do passado e da situação presente poderia ou julgaria-se apta a controlar o futuro. Não posso concordar com isso. Outro ponto, e aí merece ser chamado atenção da pesquisa da autora, é o da flexibilização. De fato, as relações amorosas são de tipologias variadas, de todas as formas e meios e cabe ao entendimento do casal sobre como “levar adiante” seu relacionamento. É possível haver relações entre três pessoas? É possível entre pessoas duas pessoas do mesmo sexo? É também possível entre dois casais? Eu acredito que sim. Mas, fundamentalmente, generalizar tais concepções e antever um “futuro” para elas é um tanto arriscado em termos de plausibilidade.

Comentário de: MARIA CARMEM | 27 de fevereiro de 2012 | 15:01

A sra Regina Navarro com certeza é uma frustrada que renega a educação católica q teve,foi colega de colégio da minha falecida mãe e provavelmente carrega um passado de um casamento frustrado mas possivelmente financeiramente interessante.Era assim naquela época, como outras mulheres, hoje senhoras q se casaram com empresários ,políticos ,etc..Cansei de ver minha mãe receber convite para livros de lançamento dela em livrarias e lugares chiques..
Eu não tenho a experiência do casamento na minha vida e nem sei se o terei mas o que eu compartilho é que ser feliz em um relacionamento homem/mulher independe da época ou da influência da geração. Na minha família houve csamentos lindos, verdadeiros exemplos de pessoas que nem a religião viviam assim tão bem, mas eram livres e corajosas para experimentar e viver o verdadeiro amor..o ” tamu junto pro q der e vier”.. e aconteceram histórias lindíssimas com 66, 68 anos de casados. E hj, já na geração mais nova, as relações se vão com os seus 40 e tals , e de pessoas com a cabeça aberta.o q eu vejo em comum entre eles apesar da diferença de idade???CORAGEM , RESPEITO E COMPROMETIMENTO!!!! e religião fica fora dessa!!!
hj em dia em um namoro de nada ninguém quer se comprometer…se todos querem só o simples prazer “raso”..que tenham..a sociedade já vem pagando por isso há algumas décadas.e assim continuará!

Comentário de: Ciça Richter | 27 de fevereiro de 2012 | 17:14

Fico tão feliz em saber que existem, ainda que raras, psicanalistas que percebem que as interações humanas e seus sentidos simbólicos mudam constantemente e que as formas de se relacionar de hoje são muito diferentes das da época de Freud. As formas de se constituir relações estão em processo de mudança por já não estarem dando conta das transformações e das demandas do mundo atual. A monogamia, o patriarcado, as relações de posse e propriedade, a restrição sobre desejo e gênero são construções sociais, e se são construções sociais devem ser socialmente desconstruídas! Ótima matéria, vale muito a pena ler!

Comentário de: Nane | 27 de fevereiro de 2012 | 17:57

Aquele incrível momento em que você se prepara para comentar e levar pedradas mas descobre que outros antes já disseram tudo que precisava ser dito. Parabéns FELIPE X e ANA CAROLINA. E sinceramente, torço pra que os defensores da liberdade não confundam mais ainda seus limites e não prossigam com análises tão reducionistas e sensacionalistas da espécie humana.

Comentário de: Rick | 2 de junho de 2012 | 18:06

Olá, acredito que você esteja certa na parte relacionada ao sexo, acredito que seremos poligâmicos, como vejo nossa juventude em festas ficando com todo mundo, e trocando de parceiros. Acho que sobre sexo isso é natural, temos curiosidades e desejos, mas em relação ao amor acho algo muito complicado, normalmente estamos ligados a uma pessoa, que nos apoia em todos os momentos, não entendo como funcionaria uma relação de amor múltiplo, não sei se funcionaria também.

Mas legal, belo trabalho, vejo com pena as pessoas mais conservadoras, mas entendo o lado delas é o medo. Normalmente essas pessoas acham que o marido é um santo e não come a vizinha, e sua filha vai a uma festa bem comportada, e não desatribui boquetes pela noite ;).

Comentário de: Mar | 9 de junho de 2012 | 17:59

Esta leitura não me caiu bem por diversos motivos:
Primeiramente, porque esta profissional está tratando a busca de completude (que é uma característica emocional básica do ser humano e sem a qual não teríamos o conforto e o prazer de dividir vivências e sentimentos com o outro), como uma reedição que ELA ACHA que não deve ocorrer. Assim, nos tornaríamos autosuficientes (e como adoramos esta palavra). Mas, qual seria o sabor de viver? Este é o meu questionamento.
E me preocupo ainda mais com como ficarão os filhos dessas pessoas que se comprometem consigo mesmas e mais ninguém. Eles também serão livres para fazerem o que quiserem? Ela deveria saber que o trabalho clínico vem sendo bombardeado por pais que vem colhendo frutos amargos por terem criados filhos tão livremente que não veem sentido em respeitar autoridades ou ideais coletivos.
Em seguida, a autora disse: “A exigência da exclusividade é algo que vira obsessão para as pessoas. A maioria das pessoas vivem com a neura dessa preocupação”. Se a exclusividade é uma preocupação para a maioria das pessoas (não defendo a obsessão, mas uma preocupação) não entendo qual o ponto dela em dizer que iremos ser mais satisfeitos dividindo parceiros.
Citaram as pessoas que saem e ficam com várias pessoas. Isto é muito bom, sem dúvida, mas por quanto tempo? Naturalmente o ficar também deixa de ser novidade, vira rotina e também já não satisfaz.
O novo fascina, mas tem data de validade. E corajoso, na minha opinião, é aquele que não se detém a ser atual, mas atemporal, aceitando e vivendo de acordo com o que sempre fomos, somos e seremos: seres humanos com sentimentos, necessidades emocionais e vulnerabilidades.

Comentário de: Lu | 10 de junho de 2012 | 3:16

Além de concordar com tudo q a Ana Carolina falou, não é preciso desrespeitar o parceiro para se sentir livre, fidelidade é a melhor parte de um relacionamento sadio…Qdo se quer ter essa tal liberdade da psicanalista, ocorre ciumes, traição, desrespeito, desamor, e uma série de coisas q ao invés de aproximar o casal, só afasta! Daí o fim é inevitável!
Acho importante sim cada um ter seu espaço, cada qual com suas particularidades. Desta forma, essa indisponibilidade por conta de seus afazeres é o suficiente para sentirem falta um do outro, para bater uma saudadezinha.
Essa modernidade é só faísca de mentes doentias, e pessoas mal resolvidas sexualmente e afetivamente, q acham q devem constantemente se auto afirmarem.
Casamento é bom e deve ter cumplicidade, intimidade, amizade, amor, sexo, fidelidade, carinho,ternura, encantamento, etc, ou não seria casamento.
Não podemos nos permitir q essa idéia de oba oba (sexo x sexo) seja propagada dentro de nossas famílias, quer tenha defeitos ou se aproxime da perfeição.
Sexo por sexo pode apenas desencadear futuramente um ser humano frustrado, pq acaba ali!
Vamos nos valorizar, valorizar os sentimentos do próximo e os nossos tbém.
Respeito a opinião de todos, mas quem ñ quer ter uma companhia principalmente na velhice, viver várias histórias juntos, ter intimidade, ter alguém pra dormir de conchinha, t dar amor e cuidar de vc qdo os filhos crescem e vão embora. Solidão é mto triste por isso temos q plantar um amor verdadeiro!

Comentário de: Andréia | 10 de junho de 2012 | 20:04

Gostei tanto do texto quanto dos comentários, que bom que muitos contribuiram para o enriquecimento da matéria. Só que não percebi como alguns, que a dra. esteja pregando alguma verdade única e imutável em relação às mudanças em alguns relacionamentos, aliás, o que ela está falando não é novidade. A diferença é que ela está expondo isso e dizendo que tende a aumentar.
Pessoalmente não acho que manter um casamento sólido, duradouro, com projetos e dificuldades em comum, enfim, viver tudo que um casamento me proporciona, me proibe de buscar eventualmente uma satisfação sexual diferente, maior ou mais livre, se for feita em comum acordo com meu parceiro e de forma respeitosa. A sociedade não precisa saber o que nos faz feliz, o que resolvemos e fazemos entre 4 paredes (nossas ou de outros) é problema nosso. Mas como ela mesma disse (a dra.) cada um deve escolher o que lhe convém.

Comentário de: Julio | 11 de junho de 2012 | 3:01

A maioria dos que são contra uma relação poligâmica tocam no ponto do “ciúme”. Mas tal sentimento existe em qualquer tipo de relação, ortodoxa ou não. Aliás, penso que existe ainda mais em relações fechadas. O simples fato de um homem olhar uma mulher atraente na rua já causa desconforto. Ter uma relação livre, baseada em amor – sim, amor sem posse continua sendo amor, ao contrário de muita gente que acha que só é possível amar alguém se esse ser ser somente dela, um egoísmo tremendo, negando que o parceiro possa sentir atração por outrém – é algo difícil, a sinceridade pode machucar às vezes. Mas essas mesmas pessoas que são contra esse tipo de relacionamento, na maioria das vezes são as que traem, escondem isso de todos, e acham normal. Ou se são fiéis, vivem em constante repressão de desejos, são infelizes por não poderem satisfazer seus desejos sexuais, mesmo sabendo que continuarão amando seu parceiro.
Outro problema é banalizar esse tipo de relação e dizer que “sexo por sexo” é fútil e desncessário. Sexo é vida, ter a liberdade de poder fazê-lo sem culpa e de uma forma natural é maravilhoso.
Acho que relações livres são uma evolução de sentimentos e de como lidamos de forma tão retrógrada sobre “casamento”.
Não entendo porquê alguns se sentem tão inseguros em admitir que o parceiro possa ter prazer com outra pessoa. Não se sentem mais desejados e amados. Mas caso isso aconteça, acho que provavelmente essa pessoa não @ ama de verdade.

Ótimo texto, e viva a liberdade sexual!

Comentário de: Paulo | 3 de setembro de 2012 | 15:20

Resumindo o que ela está querendo dizer:

Mulheres tem que ter o “síndrome da L.u.m.a D.e O.l.i.v.e.i.r.a”… casar com um E.i.k.e B.a.t.i.s.t.a e ter um amante A.b.u.c.a.c.y.s

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