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Passagens de ônibus aumentam para R$ 2,85 em Porto Alegre

Prefeito considera que aumento contempla tanto os usuários quanto a manutenção do transporte público, que qualifica como "o melhor do país" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Felipe Prestes

O prefeito José Fortunati anunciou no final da tarde desta terça (31) o reajuste de 5,56% no valor das passagens de ônibus em Porto Alegre. Com isto, a tarifa passará de R$ 2,70 para R$ 2,85, a partir da próxima segunda-feira (6). O prefeito destacou que o valor fica abaixo da inflação do ano passado, medida pelo IPCA, que ficou em 6,5% e abaixo do valor sugerido pelo cálculo técnico da EPTC, de R$ 2,88.

Fortunati afirmou que o aumento contempla tanto usuários quanto a manutenção da qualidade do sistema de transporte público, que ele considera “o melhor do país”. “É uma responsabilidade que temos com a cidade manter a qualidade do transporte coletivo, do qual nos orgulhamos e queremos que continue sendo o melhor transporte público do país. Obviamente, contemplando a necessidade dos usuários estamos reajustando em 5,56%, abaixo da inflação e abaixo do cálculo técnico”, disse.

Com o reajuste, o valor das lotações passará para R$ 4,25 e a meia-passagem de ônibus para os estudantes ficará em R$ 1,42 – também arredondada para baixo. Na prática, o prefeito arredondou para baixo o cálculo técnico que sugeria o valor de R$ 2,88 para a passagem, aumento de 6,66%, feito pela EPTC e aprovado no início da tarde desta terça pelo Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu). Já os empresários de transporte público queriam um reajuste de 9,26%, passando a tarifa para R$ 2,95.

Na reunião, integrantes do Comtu haviam proposto medidas para subsidiar e reduzir o valor das passagens, como utilizar dinheiro da Área Azul e das peças de publicidade que ficam na traseira dos ônibus. O prefeito Fortunati descartou estas propostas, argumentando que seriam valores muito pequenos. “As pessoas fazem propostas sem levar em consideração os cálculos autuariais. São Paulo está colocando de uma forma muito clara no orçamento R$ 600 milhões para subsídios. Da área azul, se formos levar em conta os custos de manutenção da operação, sobraria muito pouco, teria impacto muito pequeno sobre o valor da tarifa”, disse.

O prefeito destacou também que a passagem de R$ 2,85 só será paga efetivamente por 32% dos usuários — os demais ou são isentos ou receberiam benefícios, como a meia-passagem. Ressaltou também que desde julho de 2011 vigora a segunda passagem gratuita, que já vem sendo utilizada por 11% dos usuários.

“Quando a população poderá dar sua opinião?”, questiona estudante

Para Guilherme Andreis, integrante do DCE da UFRGS e filiado ao PSOL, o preço das passagens é abusivo para os trabalhadores que mais precisam. Além disto, a questão apresenta mais dois problemas: falta de licitação para o transporte público e a falta de transparência no reajuste. Segundo Guilherme, a EPTC apresenta apenas um relatório final às entidades que compõem o Comtu, que ficam sem acesso a todas as planilhas pelas quais se chegou ao cálculo. Na reunião desta terça, o resultado foi de 16 a 2 – CUT e União das Associações de Moradores de Porto Alegre (UAMPA) votaram contra.

“Quando a população poderá dar sua opinião?”, questiona Andreis. O DCE estima que em um ano um trabalhador gaste três salários mínimos se locomovendo. “Isto é ¼ de sua renda”, diz o estudante.

Andreis defende que a Prefeitura proporcione, ao máximo, subsídios para reduzir o valor da tarifa, ou que o transporte fosse totalmente público. “Um consultor da EPTC afirmou que o lucro das empresas é de 20%. Sem este percentual, a passagem poderia estar entre R$ 2,20 e R$ 2,30”, diz.

O integrante do DCE da UFRGS também questiona a ausência de licitação para a concessão do transporte público. “Há 20 anos não há licitação. Sem isto, não há concorrência. O reajuste é ilegal”, defende.

Comentários (17)
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Comentário de: juca | 31 de janeiro de 2012 | 19:03

Coitados dos empresários. Se não houvesse aumentos abusivos, como eles poderiam morar em suas mansões e andarem em seus carrões?

Comentário de: Felipe X | 31 de janeiro de 2012 | 19:51

Juca, o aumento que eles pediram foi abusivo, mas o dado foi razoável, perto do valor da inflação do ano passado. Concordo com o artigo quando menciona que este tipo de transporte devia ser subsidiado, idealmente poderia ser público.

Comentário de: Felipe X | 31 de janeiro de 2012 | 20:01

Comentário de: Olavo | 31 de janeiro de 2012 | 21:54

A tarifa de Porto Alegre só perde para São Paulo, parabéns Fortunati você é um gênio, vai perder a eleição por causa de sua covardia em enfrentar o oligopólio.

Comentário de: Marco | 1 de fevereiro de 2012 | 0:25

E o PT, ainda vai apoiar o Fortunati, à reeleição!

Comentário de: caio flavio | 1 de fevereiro de 2012 | 1:55

Roubo o nome disso!

Comentário de: Marcelo Tskin | 1 de fevereiro de 2012 | 4:37

. O limite legal para desconto do vale-transporte do trabalhador é de 6% do seu salário básico. Quem ganha R$1000,00, desconta, no máximo, R$60,00, o restante é pago pela empresa. Ou seja, para a grande maioria dos trabalhadores empregados com carteira assinada, o aumento não tem impacto algum.
O dado de que apenas 32% dos usuários paga o valor inteiro da tarifa é alarmante. Seria interessante calcular a renda média dos usuários que recebem isenção ou desconto.
E o que o DCE tem feito a respeito da falta de licitação? Já pediram para o MP entrar na história? Trancar rua e fazer apitaço não serve pra nada. Há quanto tempo isso é feito por aqui?

Comentário de: Rafaella | 1 de fevereiro de 2012 | 9:28

Palhaçada isso… Pagar 2,85 pra andar dentro de uma lata de sardinhas, esperar por um longo período nas paradas de ônibus, não ter linhas que circulam a noite toda, é dose…

Comentário de: Magnus | 1 de fevereiro de 2012 | 10:14

Dizer que o transporte público de Porto Alegre é o melhor do Brasil é piada, né? Só poderia ter vindo da santa boca de quem jamais pega ônibus para ir trabalhar…

Comentário de: Fellipe | 1 de fevereiro de 2012 | 10:40

Melhor do País???? Ele nunca pegou o Restinga das 18:00 ou qualquer ônibus que vá para Assis Brasil naquela tranqueira…..

Comentário de: Marcus Brito | 1 de fevereiro de 2012 | 10:41

O mais triste dessa história toda é que talvez o Fortunati não esteja errado quando diz que o transporte público de Porto Alegre é o melhor do país. Talvez ele tenha ido um pouco longe demais, mas com certeza o transporte e PoA está entre os melhores do Brasil, apesar de sua péssima qualidade — é só que a situação no resto do país consegue ser ainda pior.

Comentário de: Gianfrancesco | 1 de fevereiro de 2012 | 11:14

32% pagam é mentira. Descontos para estudantes são de MEIA tarifa.

Apenas idosos recebem isenção. É um público considerável, mas não é por causa dos idosos que eles deixam de preceber verba suficiente para “manutenção” e “compensar a inflação”.

Mas é isso, o partido “da legalidade do Brizola”. Meros bravateiros.

Comentário de: caio flavio | 1 de fevereiro de 2012 | 16:27

Marcelo Tskin deve ser um “comentarista” pago pelas empresas de ônibus de POA. Só pode.

Comentário de: Andreia | 1 de fevereiro de 2012 | 17:31

Absurdo!
O transporte público de Porto Alegre, realmente, é um dos melhores do País, sem dúvidas (mas o correto deveria ser: um dos menos piores). Porém, muito AQUÉM do que o cidadão porto-alegrense sabe que teria condições de ter.
Essa condição, de “melhor transporte coletivo”, se aplica à Carris, apenas.
Experimente pegar algum ônibus da Unibus (antiga Sudeste) às 7:30h da manhã? Chega a ser um desafio apenas entrar no coletivo.
Os ônibus que passam pela periferia, pelas vilas, onde de fato estão a massa de usuários, são os piores possíveis. São velhos, lotados e sempre atrasados. E o povo, na maioria das vezes, nem pode contar com as lotações (pois nestes bairros elas se limitam às vias principais, não entram pelas secundárias ou locais).
Já era sacanagem pagar R$2,70 por aquele serviço, imagina agora… (E é palhaçada essa história que apenas 32% pagam: vale-transporte não é isento, trabalhador+empregador pagam a tarifa e estudante paga meia tarifa, mas paga).

Comentário de: Cássio | 4 de fevereiro de 2012 | 2:27

Não concordo com o preço de 2,85, mas também não concordo nem com isenção, nem com meia tarifa. Que o transporte deveria ser todo realizado pela Carris é fato que eu apoio, mas abatimentos da tarifa baseados em idade e em ocupação são tudo, menos igualitários. Se é para isentar, isenta de pagar o trabalhador que ganha um salário mínimo e os seus filhos, não quaisquer estudantes. Péssimas políticas populistas, e péssimos observadores que reconhecem a goteira e não encontram o furo!

Gianfrancesco e Andreia: Em momento algum é dito que só 32% pagam. Está claramente escrito que apenas 32% pagam integralmente a passagem de R$2,70, o que me parece bastante verossímil. Se querem criticar, leiam o texto corretamente.

caio flavio: E tu deves ser um alienado. O Marcelo trouxe dados, e tu, que só fazes comentários que nada adicionam a discussão. Se o nome disso é roubo, então escreve sobre esse roubo ao invés de fazer uma acusação sem embasamento.

Comentário de: Érico | 6 de fevereiro de 2012 | 8:24

notem no inicio do artigo “melhor do país”….
como pode as mesmas empresas semprem vencerem a mesma licitação a 30 ano ?

Comentário de: liah | 30 de março de 2012 | 21:41

Melhor do pais isto e sacanagem que fazem com o povo na restinga não tem opção de onibus alem do mais ele tem que pegar o restinga cairu da 18 h
p ele ver uma passagem cara desta temos que viajar 2horas de pe que sacanagem meu voto p pt nunca mais

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