Ronaldo Zulke

Nunca antes nesse estado

O anúncio sobre a construção da segunda ponte do Guaíba com recursos públicos, feito na última terça-feira pela presidenta Dilma Rousseff, mais que o cumprimento de uma promessa de campanha formulada sob pressão da disputa eleitoral, é o reconhecimento de um gargalo que impedia uma boa comunicação viária entre a Capital e a Metade Sul. Problema que o Polo Naval de Rio Grande tornou ainda mais urgente de uma resposta. O combate às desigualdades regionais pressupõe obras de infraestrutura para a circulação de nossas riquezas.

Uma das características próprias das regiões em atraso econômico e social é, justamente, seu isolamento pela dificuldade de acesso. Justifica-se, pois, o entusiasmo dos gaúchos com a notícia trazida pela primeira mandatária de investimento de R$ 900 milhões para a concretização desse antigo e dispendioso pleito, cuja realização só poderia se efetivar com o concurso do governo central. Na oportunidade, foram também entregues 114 retroescavadeiras para 126 municípios. Equipamentos essenciais para o processo de crescente urbanização do estado. Considerando que, há pouco tempo, o PAC da Mobilidade Urbana destinou R$ 1 bilhão para o metrô de Porto Alegre, uma conclusão se impõe: nunca o Rio Grande do Sul recebeu tantos aportes financeiros de Brasília. Tamanho reconhecimento institucional, contudo, é uma avenida de mão dupla, que vai e volta.

O que mudou? Mudou o padrão de relacionamento político que o RS mantém agora com a União. A administração estadual anterior andava de costas para o Brasil, deixava de implementar programas federais (por exemplo, entre outros, os Pontos de Cultura) por puro ranço ideológico. Quem arcava com o prejuízo material era a população, que via pela janela o progresso passar em direção às demais unidades da Federação. Esse clima de permanente hostilidade e disputa fez o ex-presidente Lula em uma cerimônia oficial realizada no estado reclamar, certa vez, a presença de algumas autoridades locais, as quais até deixavam de comparecer ao anúncio de boas novas. Fazia-se então política com o fígado, não com a razão.

O pacto federativo ficava em segundo plano diante das divergências programáticas entre o projeto democrático-popular e o projeto neoliberal. Hoje, a situação é diferente. O pacto federativo vem em primeiro lugar, como deve ser em uma autêntica república em que os interesses gerais precisam estar acima das quizilas partidárias. Isso explica o montante de investimentos no RS, nas mais diversas áreas. Lembremos a BR-448 (Rodovia do Parque), as melhorias na BR-116, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Novo Hamburgo, os estudos para a implantação do aeroporto de Portão. A lista é longa, resultado de uma postura mais republicana, por parte do governo Tarso. Estamos no caminho certo. Continuemos.

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Comentários (6)
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Comentário de: Felipe X | 16 de dezembro de 2011 | 14:23

Só um petista para começar uma frase com uma bobagem do tipo “Nunca antes neste…” mesmo. Não reconhecem sequer avanços dos positivistas ou outros governos mais antigos e portanto menos polêmicos por não ter tão viva a bandeira partidária.

Comentário de: Luis Carlos | 16 de dezembro de 2011 | 14:47

O deputado Zulke coloca a questão no devido lugar. O Rio Grande do Sul esteve muito tempo de constas para o Brasil e o povo gaúcho pagou o preço do isolamento provocado por governos neoliberais. Finalmente o RS esta sendo beneficiado pelos ventos do desenvolvimento que sopram no Brasil. Esta nova realidade é resultado da sabia escolha do povo gaúcho que, já no primeiro turno da eleição de 2010, defenestrou o projeto neoliberal e elitista que mantinha o Estado isolado do resto do Brasil.

Comentário de: Ivan Pielke | 16 de dezembro de 2011 | 16:15

Há diferença entre ter colunistas falando de política, comentando fatos, problemas e um integrante de partido político fazendo mais propaganda – além do que o próprio governo já faz na publicidade advinda dos cofres públicos.

Que ele utilize os meios de comunicação pessoais: blog pessoal, site do partido, redes sociais, mas não um veículo de comunicação dito jornalístico.

Ética passa bem longe.

Aí falam da Veja, Globo, ZH e etc. Nojo.

Comentário de: Denis | 16 de dezembro de 2011 | 16:37

E o código florestal Zulke? Como anda? Manda lembranças pra Kátia Abreu e pro Ronaldo Caiado…e pra Manuela, Bohn Gass e pro Rabelo…

Comentário de: cezar | 17 de dezembro de 2011 | 10:13

O fato correto é que o PT mudou esse País.. está mudando esse Estado

Comentário de: Daniel | 17 de dezembro de 2011 | 17:54

“O combate às desigualdades regionais pressupõe obras de infraestrutura para a circulação de nossas riquezas.”

É a população da metade sul que se benificiará ou o polo naval de rio grande que necessita desta ponte? Onde estão os beneficios da região norte e centro oeste quando suas paupérrimas populações não se beneficiaram do crescimento economico e de toda infra estrutura que o Estado investe para que grandes companhis e latifundiarios lucrem astronomicamente?
O governo do PT tem a mesma lógica de todos os outros: desenvolvimento e melhoramento da qualidade de vida da população sempre estiveram atrás de interesses econômicos. Me impressiono como jornalistas comentam fatos sem ao menos ler geográfos brasileiros que abordam assuntos da atualidade. Recomendo mais estudo ao abordar tal questão tão levianamente retratada aqui.

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