Sergio Leo

Não se faz literatura no vizinho?

Eu estava no Paraguai, creio que no século passado, e, na frente do terrível hotel onde me hospedei (há bons hoteis no Paraguai, mas esse não está no clube), havia um café internet.
(Era uma época de cafés Internet).
Na parede, desenhos em estilo bico de pena, com autores paraguaios. Ou latino-americanos, não sei; não identifiquei nem o Augusto Roa Bastos que, tenho certeza, estava lá, revestindo a parede.
Deu vergonha. Me dei conta de que, à parte os óbvios, eu desconhecia os autores dos países vizinhos, os escritores de língua espanhola. Para confessar a verdade, desconhecia e desconheço ainda os novos autores de língua portuguesa editados fora do Brasil. Mas, como tudo que me envergonha, a experiência me motivou a evitar novos vexames. Ou tentar, pelo menos.
Passei a aproveitar as viagens pelo continente para tomar contato com os autores; a começar pelos nem tão novos, mas desconhecidos no Brasil. Gente de quem se fala menos do que se deveria, por aqui, como Juan José Saer, de quem comprei Cicatrices, numa banca em Buenos Aires. Ou – esse até é mais falado _ Juan Carlos Onetti.

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