Especial Legalidade
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Fotos da Última Hora trazem a mobilização popular para a cena
Livro de Claudio Fachel analisa a cobertura engajada feita pelo jornal
Lorena Paim
Nesta quinta (1º), o repórter fotográfico Claudio Fachel lança o livro Fotojornalismo e Legalidade 1961- Última Hora Rio-grandense, que pretende ser uma referência de pesquisa, num momento inicial, sobre o tema. Através de imagens do jornal pertencente ao grupo do empresário Samuel Wainer, ele mostra as inovações jornalísticas realizadas naquele período, que teve uma rica cobertura da imprensa, e não apenas do rádio.
Fotojornalismo e História é um enfoque que interessa a Fachel há bastante tempo, inclusive sendo tema de sua tese de mestrado em História pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/RS), em 2009. Atualmente, além de professor de Fotografia na Unisc, em Santa Cruz do Sul, ele é fotógrafo da equipe de jornalismo da Secom – Secretaria de Comunicação e Inclusão Digital do Governo do Estado.
Com a proximidade do cinquentenário da Legalidade, Fachel viu a oportunidade de escrever o livro, para o qual já possuía material, e a edição foi bancada pela Editora Medianiz. A tese de mestrado foi uma base, à qual ele acrescentou pesquisa sobre o movimento e seus principais atores. Quando a Última Hora fez a cobertura da Legalidade – afirma – o fotojornalismo já era expressivo no Brasil, nas páginas da Revista do Globo e, mais tarde, nas revistas ilustradas, como O Cruzeiro, Manchete, Fatos e Fotos, entre outras, de grande circulação nas décadas de 50 e 60. Mas os jornais ainda não tinham maior expressão nesse tipo de abordagem.
O jornal Última Hora, fundado no Rio de Janeiro em 1952, tinha também edições regionais, inclusive a de Porto Alegre. O autor cita como inovação o fato de a UH gaúcha “trazer a narrativa fotográfica para dentro do jornal, o que se observa nas grandes fotos na primeira e na última página e também na página central, onde a sequência de imagens dá a dimensão do que está acontecendo”.
Segundo Fachel, a Legalidade propiciou uma grande mobilização dos fotógrafos, que revelaram para o Brasil e o mundo o dia-a-a-dia da resistência no Rio Grande do Sul. Ele diz que os fotógrafos de UH trouxeram para o jornal o grande diferencial em relação aos demais veículos impressos da época. “As fotos da Última Hora trazem muito mais a população para a cena, o que demonstra tratar-se de um jornal engajado com o que está acontecendo, traduzindo a mobilização social que aquele movimento provocava”, afirma.
Segundo ele, a UH tinha uma estrutura preparada para a fotografia, o que se observa no projeto gráfico que concede espaço à imagem. Um resgate interessante feito pelo autor é não apenas em relação às fotos, mas aos fotógrafos que fizeram a cobertura da Legalidade. Houve muitos profissionais trabalhando, inclusive de fora do estado e do país, que produziram farto material sobre o movimento.
Lançamento no dia 1º na Palavraria
Claudio Fachel, que desde 1987 trabalha como fotógrafo, diz que o livro não se encerra em si. Tanto que lançará um blog, para ir enriquecendo o material, com as colaborações que surgirem.
Fotojornalismo e Legalidade 1961- Última Hora Rio-grandense (com prefácio de Ricardo “Kadão” Chaves) tem lançamento nesta quinta, dia 1º, na Palavraria, a partir das 18h30min. Já está disponível também na Livraria Cultura, por R$ 38.
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Parabéns pelo trabalho, que ainda não tive o prazer de ler, mas estarei no lançamento para adquirir um exemplar autografado por este grande profissional e, antes de tudo, um excelente colega e amigo.